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24/07/2009

Israel vem à América do Sul fazer campanha contra o regime iraniano

El País
Alejandro Rebosio
Em Buenos Aires (Argentina)
Israel está preocupado com a crescente influência do Irã na América Latina. Para compensá-la, seu ministro das Relações Exteriores, o ultradireitista Avigdor Lieberman, iniciou na última terça-feira um giro de dez dias por Brasil, Argentina, Peru e Colômbia. Começou a visita pelo Brasil, país que reconhece como tendo peso diplomático para ser mediador no Oriente Médio. Ontem chegou à Argentina, onde reside a maior comunidade judia de fala hispânica (250 mil pessoas). Fazia 22 anos que um ministro das Relações Exteriores israelense não pisava na América do Sul.

  • Joedson Alves/AFP

    Chanceler israelense, Avigdor Lieberman, cumprimenta Lula, em visita ao Brasil (22.jul.09)

Israel está alarmado com as alianças que seu inimigo e presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, teceu com Venezuela, Bolívia e Nicarágua. Tanto Brasil quanto Argentina mantêm boas relações com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas diferem por sua ligação com o Irã. O chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, se apressou a cumprimentar Ahmadinejad por sua recente vitória em eleições questionadas pela oposição iraniana, pela UE e os EUA, enquanto sua colega argentina, Cristina Fernández de Kirchner, condenou Teerã no ano passado na assembléia anual da ONU por sua suposta participação no atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), no qual morreram 85 pessoas.

"O Brasil abriga muitas pessoas de origem árabe e também judias", destacou na quinta-feira seu ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. A comunidade judia no Brasil é a décima maior fora de Israel (97 mil pessoas) e a da Argentina, a sexta.

A relação do Brasil com o Irã é tão boa que Ahmadinejad planeja fazer a primeira viagem de seu novo governo a esse país. Lula retribuirá a visita no próximo ano. Talvez por isso Lieberman declarou na quinta-feira em Brasília que o gigante sul-americano é "o único país que pode convencer o Irã a deter seu programa nuclear" e salientou que conta com "laços muito fortes com o mundo árabe e também com muito boas relações com Israel".

No início de julho, o presidente dos EUA, Barack Obama, também havia pedido a Lula para mediar. Lieberman advertiu sobre uma "corrida nuclear" no Oriente Médio porque a Arábia Saudita ou o Egito não aceitarão que o Irã leve vantagem sobre eles. Amorim respondeu que "o Brasil gostaria que todos os países assinassem o tratado de não-proliferação nuclear", em crítica aberta a Israel, que possui armas atômicas.

Amorim destacou como um "progresso" que Lieberman tivesse manifestado seu apoio ao reconhecimento do Estado palestino. Em troca, admitiu que discordaram sobre os assentamentos judeus em territórios palestinos: o chanceler brasileiro considera que aumentaram em número desde o acordo de paz de Oslo (1993), e o israelense opina que se mantiveram iguais. Amorim defendeu liberar as passagens para a Faixa de Gaza, mas também a segurança de Israel. O ministro israelense admitiu "desacordos e incompreensões" com o Brasil, mas opinou que esse país também pode mediar com "os palestinos, Síria e outros vizinhos".

A subdiretora das Relações Exteriores de Israel para a América Latina, Doris Shavit, denunciou na visita que a guerrilha libanesa pró-iraniana Hizbollah dispõe de células "inativas" na Venezuela, na fronteira com a Colômbia. O governo de Chávez qualificou as declarações de "ridículas". O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, está em Israel, onde seu presidente, Shimon Peres, comentou que acompanha de perto o aparecimento na América do Sul de grupos do Hizbollah. Chávez declarou na quinta-feira que EUA, Israel e Colômbia formam um "quadro de agressão" contra a Venezuela. Tanto Caracas quanto La Paz romperam relações diplomáticas com Tel Aviv depois do bombardeio da Faixa de Gaza em dezembro passado.

Ontem em Buenos Aires Lieberman se reuniu com seu colega argentino, Jorge Taiana, e inaugurou um seminário de negócios. Aqui permanecerá durante três dias, nos quais se encontrará com parentes das vítimas dos ainda impunes ataques terroristas contra a embaixada de seu país (1992) e a AMIA. Um parente de um dos 29 mortos no atentado à embaixada, Carlos Susevich, declarou que "Israel é fraco para pressionar os funcionários" argentinos "para que investiguem realmente".

A agenda de Lieberman na Argentina foi mantida em segredo por questões de segurança, já que sua presença foi repudiada por partidos de esquerda, que o chamaram de "fascista".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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