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25/07/2009

Debate sobre a reforma da saúde enfraquece a liderança de Obama

El País
Antonio Caño
Em Washington (EUA)
Barack Obama termina a semana mais difícil de sua presidência com resultados modestos em seu ambicioso projeto de reforma da saúde e uma imagem de vulnerabilidade desconhecida desde que chegou à Casa Branca. Tanto a dificuldade da tarefa - a aprovação de uma lei que resiste há 60 anos - como a rebelião entre as próprias fileiras democratas contribuíram para enfraquecer, pelo menos temporariamente, a liderança do presidente americano.

  • Reuters;Jason Reed

    Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participa de uma reunião com especialistas da área de saúde em um centro de pediatria de Washington (EUA), nesta segunda-feira (20)

A reforma da saúde ainda não é, porém, uma batalha perdida. Mesmo que o Senado não vote a lei antes das férias de agosto, ainda é possível que a Câmara dos Deputados o faça, e Obama conseguiu ontem um compromisso dos senadores de que vão trabalhar intensamente no plano para deixá-lo pronto para aprovação imediatamente após as férias de verão, provavelmente em setembro.

Mas o pior não é esse atraso, que não significa descumprir o compromisso de Obama de aprovar a reforma antes do fim do ano. O pior é a incerteza que o atraso gera e as dúvidas sem resolver, entre os congressistas e entre os cidadãos, com as quais se adia o debate.

A insistência do presidente em terminar a tarefa antes do verão tinha como objetivo aproveitar a janela de oportunidade que havia se aberto nas últimas semanas, nas quais a vontade mobilizadora da Casa Branca tinha conseguido unir interesses até agora irreconciliáveis: seguradoras, médicos, hospitais, pacientes e empresas.

Essa vontade foi contrabalançada nos últimos dias do debate por uma forte resistência dos setores conservadores, que conseguiram semear confusão suficiente entre a opinião pública para que a classe política - haverá eleições legislativas no próximo ano - se sentisse chamada à prudência.

Esse atraso agora não só pode dar asas aos inimigos da reforma da saúde, que avaliam o ocorrido como uma vitória, como também pode derrubar o difícil castelo de cartas construído por Obama com todos os interesses em jogo.

Em consequência, o presidente terá agora que, primeiro, aproveitar a semana que lhe resta de julho para recuperar a iniciativa e, depois, recapitular, fazer as correções necessárias e evitar que isso acabe se transformando em seu Waterloo, como pretende a oposição.

Obama enfrenta na questão da reforma da saúde dois grupos rivais. Um é o da extrema-direita, controlada pelo Partido Republicano, que, como pediu o estrategista conservador William Kristol, entrou nessa batalha para matar.

Esse setor é consciente de que Obama é neste momento a força motriz da esquerda americana, sua alma, sua inspiração e quase seu único valor de público reconhecimento. Acabando com ele, pode-se acabar com tudo o que a vitória democrata de 20 de janeiro poderia trazer a esse país.

Para alcançar esse objetivo vale tudo. Incluindo a miserável campanha que circula há dias nas rádios conservadoras, afirmando que o presidente não é um cidadão americano, que nasceu no Quênia e que seus pais falsificaram a certidão de nascimento. Embora possa parecer ideia de um lunático, os dirigentes republicanos deixaram circular essa acusação até o ponto de obrigar a Casa Branca a vazar para alguns meios de comunicação provas da nacionalidade do presidente.

Não está muito longe dessa campanha a reação às palavras de Obama sobre a detenção, na semana passada, do professor da Universidade de Harvard Henry Gates, que é negro, quando tentava entrar em sua própria residência. Um sindicato de policiais se solidarizou ontem com seus companheiros, e uma bateria de colunistas passou a criticar o presidente por dizer, simplesmente, que essa detenção tinha sido "uma estupidez".

Mas Obama também enfrenta a oposição de um grupo com métodos e propósitos mais decentes. Trata-se da ala direita do Partido Democrata, formalmente constituída na Câmara dos Deputados no que se conhece como Blue Dogs (cães azuis), um grupo de 52 congressistas que apresentam frente comum em vários temas. Os Blue Dogs querem garantias de que a reforma da saúde não vai representar uma sobrecarga para o déficit público e são filosoficamente contrários a um aumento de impostos.

Uns e outros contribuíram para dar um tom demasiado esquerdista a uma presidência que nasceu e tem vontade centristas. Este é um período chave para que Obama faça os ajustes necessários para recuperar sua natureza.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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