UOL Notícias Internacional
 

26/07/2009

Joias roubadas na Espanha financiaram assassinatos da Al Qaeda na Argélia

El País
Por José María Irujo
Em Madri (Espanha)
A venda de relógios Cartier, pulseiras de ouro e colares de esmeralda roubados de cerca de vinte chalés da Costa do Sol por ladrões salafistas que se autodenominam Grupo da Verdade financiou dezenas de assassinos da Al Qaeda na Argélia e Mauritânia, segundo uma investigação judicial.

A promotoria da Audiência Nacional [principal instância penal da Espanha] pede 109 anos de prisão para os seis processados, supostos membros da Al Qaeda no Magreb, um braço de Osama bin Laden no norte da África. Eles são acusados de integração e colaboração com o grupo terrorista e falsidade e receptação com fins terroristas, segundo o texto de qualificação provisória ao qual o El País teve acesso. As penas vão de 19 anos e seis meses a 15 anos.

Os ladrões salafistas viviam em localidades distintas da Costa do Sol e haviam se conhecido na prisão de Topas (Salamanca), onde cumpriram penas por delitos comuns entre 1999 e 2002. Ensinados por Hakim, um preso que atuava como imã, eles criaram dentro da prisão um grupo radical que obrigava seus membros a apoiarem a jihad (guerra santa).

"Peça a mudança de módulo e busque o Grupo da Verdade", diziam algumas cartas interceptadas, em árabe, endereçadas a presos islamitas que estavam no centro penitenciário onde cumpria pena Mohamed Achraf, condenado agora a 14 anos de prisão por elaborar um plano para explodir a Audiência Nacional com um caminhão bomba. Foi este último quem, na época, solicitou a escola da prisão para realizar as conversas e reuniões religiosas nas quais os ladrões se contagiaram com suas ideias rigorosas. Lá, segundo o texto da promotoria, "aglutinavam-se pessoas com fortes convicções ideológicas baseadas na jihad menor, conceito religioso que justifica a violência ou guerra santa para conseguir a expansão geográfica do Islã".

O objetivo daqueles encontros religiosos foi captar e doutrinar pessoas que depois de saírem da prisão "formariam células terroristas, ativas ou dormentes, de caráter jihadista", assegura o texto da promotoria da Audiência, dirigida por Javier Zaragoza.

Assim nasceu o grupo de assaltantes islamitas supostamente formado por Fares Merazka, de 33 anos, Fathi Abdallah, 39, Salah Eddinne Berkouin, 39, Abdelkader Yettou, 50, Abdelfatah En Naji Chenaf, 45, e Lahouari Naum Zenagui, 43, todos eles argelinos residentes na Espanha. Deram seus primeiros golpes na província de Cadiz, assaltaram a casa do toureiro Jesulín de Ubrique, até que um cartão de crédito roubado num chalé e usado para recarregar vários celulares conduziu os agentes da Guarda Civil até o coração do grupo. As investigações telefônicas descobriram o contato com Abdelhakim Fekkar, conhecido como Hakim, de 45 anos, o imã que os cooptou na prisão de Topas, mais tarde solto e reconvertido a membro ativo do Grupo Salafista para a Divulgação e o Combate (GSPC) na Argélia. Um indivíduo que por telefone descreveu orgulhoso como havia participado em dois atentados na Argélia e Mauritânia nos quais 32 militares foram assassinados.

Em 25 de maio de 2005, os agentes que coordenavam as escutas ficaram contrariados ao ouvir uma nova confissão do antigo imã: "Estive em missão e eliminamos 25 infiéis". O atentado havia acontecido em Tebessa (Argélia). Nele, morreram 15 militares e outros 13 ficaram feridos. Hakim falou a eles de uma nova "missão" na Mauritânia e coincidiu que naquela data outro ataque numa base militar em Lemgheity, junto à fronteira argelina e malinesa, deixou 15 vítimas.

"Desde que entrei na Argélia não parei, graças a Deus", orgulhava-se em suas conversas com seus "irmãos". O juiz e o promotor concordam que os processados enviaram dinheiro de seus roubos para financiar ataques do aliado de bin Laden na África.

Tradução: Eloise De Vylder

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