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29/07/2009

Zelaya organiza milícia com seus partidários nas colinas da Nicarágua

El País
Carlos Salinas
Em Manágua (Nicarágua)
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, iniciou uma nova ofensiva em sua tentativa de regressar a seu país. Deixou a pequena cidade de Ocotal, no norte da Nicarágua, para se internar nas montanhas da região fronteiriça com Honduras e organizar o que ele chamou de milícias populares de resistência, formadas por dezenas de seus seguidores, com o fim de ingressar em Honduras, de onde ele foi expulso em 28 de junho.

Zelaya viajou ao setor chamado Las Colinas, próximo à fronteira com Honduras, onde os hondurenhos que cruzaram para a Nicarágua se organizam em grupos. Uma fonte próxima de Zelaya explicou por telefone que os planos são formar "uma massa crítica" de simpatizantes do presidente deposto para tentar cruzar a fronteira. "Esses grupos têm nomes de líderes históricos de Honduras e vão atuar de maneira pacífica", explicou a fonte.

Personagens da crise: os protagonistas

  • AP Photo/Jose Luis Magana

    Manuel Zelaya foi eleito presidente de Honduras pelo Partido Liberal (centro-direita) em 2005 e assumiu no ano seguinte, com mandato até 2010. Durante seu governo, aproximou-se dos governos de esquerda da região e Honduras passou a fazer parte da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), bloco liderado por Venezuela e Cuba. Em junho deste ano, tentou promover um referendo para mudar a Constituição e permitir a reeleição presidencial, iniciativa que foi considerada ilegal pelo Parlamento e pelo poder Judiciário. No dia 28 de junho, quando iria levar adiante a votação, Zelaya, ainda de pijamas, foi expulso do país por militares e deposto do cargo de presidente

  • REUTERS/Tomas Bravo

    Roberto Micheletti, também do Partido Liberal, era presidente do Parlamento hondurenho quando Zelaya foi deposto. Assumiu a Presidência e defende que a manobra foi legítima, com o objetivo de proteger o país de um suposto golpe de Zelaya contra a democracia. Durante seu governo interino, que não foi reconhecido por nenhum outro governo, o país foi expulso da OEA e teve parte do financiamento externo congelado. Micheletti anunciou que Zelaya será preso caso volte ao pais

A presença de hondurenhos em território nicaraguense despertou o temor dos habitantes da região fronteiriça. Muitos lembram dos violentos confrontos que se registraram ali na década de 1980, quando os Contra, o grupo armado treinado em Honduras com o patrocínio do governo Ronald Reagan, combateu o Exército Popular Sandinista do primeiro governo de Daniel Ortega. A presença de militares hondurenhos na fronteira aumenta esses temores.

Na segunda-feira, o chefe do Estado-Maior das forças armadas de Honduras, general Romeo Vásquez, visitou as tropas para animá-las e verificar como anda a Operação Democracia e Paz, que mantém destacamentos nas saídas para a Nicarágua. Enquanto isso, as autoridades de Honduras autorizaram a família de Zelaya a viajar para a Nicarágua por estrada para reunir-se a ele. A mulher e a mãe de Zelaya, Xiomara Castro e Hortensia Rosales, e outros parentes pretendiam sair do país ontem.

Zelaya foi declarado não-grato por políticos de oposição na Nicarágua, que exigiram uma explicação do presidente Daniel Ortega, que até agora não visitou Zelaya em seu enclave na fronteira, mas ordenou que a polícia e o exército garantam sua segurança.

Nesta terça-feira, um grupo de cinco deputados nicaraguenses viajou para Ocotal, a 226 km ao norte de Manágua, para entregar a Zelaya uma carta na qual exigem que ele "não continue violando a soberania da Nicarágua". Mas não puderam chegar até a cidade, porque grupos que levavam bandeiras da Frente Sandinista de Libertação Nacional, governista, impediram sua passagem. "Estão violando nosso direito de livre circulação. Ortega entregou Ocotal a Zelaya, esse é um território de Zelaya", disse a deputada liberal María Eugenia Sequeira.

Outro grupo de deputados, encabeçado pelo ex-candidato presidencial Eduardo Montealegre, viajou até Tegucigalpa (Honduras), onde se reuniria com o presidente no poder, Roberto Micheletti, para falar sobre a situação do país depois do golpe.

Enquanto isso, Zelaya pediu ao governo de Ortega que conceda o estatuto de refugiados aos hondurenhos que cruzaram a fronteira para apoiá-lo.

Por outro lado, o governo dos EUA revogou ontem os vistos de quatro membros do governo de fato de Honduras, como mais uma medida de pressão para forçar uma solução negociada para a crise.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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