UOL Notícias Internacional
 

30/07/2009

ETA completa 50 em crise de identidade

El País
Aitor Guenaga
Em Bilbao (Espanha)
Uma organização terrorista pode suportar a queda de seus aparelhos logístico - Cahors, em setembro de 2007 - e político - detenção de Thierry, em maio do ano passado? E pode não se ressentir definitivamente depois do desmantelamento de sua chefia militar até em quatro ocasiões desde novembro de 2008 até hoje? Ou, pelo contrário, o ETA tem sua sobrevivência garantida quando 15% dos adolescentes bascos - entre 12 e 16 anos - justificam a violência, ou não a rejeitam?

Em 1992, por ocasião da Expo de Sevilha e dos Jogos Olímpicos de Barcelona, a direção do ETA havia planejado "pôr o Estado de joelhos" à força de bombas. Em março daquele ano foi detida toda a sua cúpula em Bidart, na França. A organização mergulhou em uma crise que realmente nunca superou, e que em janeiro de 1995 a obrigou a dar uma volta em sua trajetória criminosa e iniciar a fase do assassinato do "inimigo político" não-nacionalista.


"Estamos perdendo a batalha militar e se continuarmos assim poderemos acabar perdendo também a política", refletiu do exílio na República Dominicana, dois anos antes dessa fuga para a frente, o então chefe da relações políticas do ETA, Eugenio Etxebeste Antxon, hoje assíduo nas manifestações radicais (abertzales) ao lado de Arnaldo Otegi.

Neste 31 de julho completam-se 50 anos do nascimento da organização terrorista, e seus dirigentes também gostariam de comemorar a data com uma poderosa ofensiva. Embora às vezes, como ontem, consigam realizar o atentado pretendido, a verdade é que "os comandos caem antes de entrar em ação e os chefes militares duram meses em seus postos de comando", indicam fontes da luta antiterrorista, e o número de presos beira os 750. "O ETA ainda pode nos causar muito dano, mas entrar agora no bando é comprar um bilhete que leva diretamente à prisão", costuma salientar o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba.

Depois da última assembleia virtual (intercâmbio de informação entre militantes e presos), concluída no final de 2008, a direção do ETA esboçou um plano para os próximos cinco anos que não inclui abandonar a luta armada, o único caminho que deveria percorrer para tornar possível um final dialogado. São duas as novas pistas pelas quais os terroristas pretendem transitar neste quinquênio. Seu projeto estratégico, embora de aplicação improvável, é a criação de uma "aliança nacional" ou "pólo soberanista". "A aliança popular não é o objetivo, nem uma parte do processo de paz, mas uma ferramenta no caminho para a independência e seu meio mais eficaz para consegui-lo", afirmam. E deixam claro que querem estar presentes para "conduzir a nação organizada".

"Participarenos dela [a aliança] como se fôssemos um agente signatário a mais." "O objetivo da aliança nacional será definir um protocolo para responder e aplicar a estratégia no povo, com indicação expressa de que o ETA põe à disposição da nação organizada sua força armada", acrescentam. Quer dizer, que tutelará um processo estratégico que "precisa de tempo e maturação". Longe de se afastar e dar lugar à esquerda radical, se posiciona como garantia do processo: "Vamos vigiar a pureza das declarações e vamos garantir a permanência de qualquer movimento de independência, e ainda mais se for de caráter armado". Essas reflexões da direção do ETA deixam em clara situação de dependência o setor da esquerda radical que diz em particular o que nunca se atreveu a dizer à sociedade basca ou à organização terrorista, que "a luta armada é um lastro".

Na assembleia virtual, várias contribuições por escrito abordavam a questão de incluir o Partido Nacional Basco (PNV na sigla em espanhol) como alvo militar. "Em relação ao PNV, não digo que devamos abrir essa frente de par em par, mas sim aos poucos, dando alguns golpes", apontava um deles. "Não há uma parte boa e outra ruim. Todo o partido é ruim", resumia outro. "A questão é quando, como e onde dar", salientaram.

Com todas essas contribuições, o ETA parece ter decidido o que fazer com o partido de Iñigo Urkullu. Em primeiro lugar, enviar uma carta à executiva nacional do partido (EBB) para lhe lembrar sua "responsabilidade por Euskal Herria [o País Basco] não ter conseguido seu reconhecimento político e pelas numerosas traições cometidas ao longo da história. Indicá-los como responsáveis por nosso povo estar submetido e viver em circunstâncias constantes de negação de direitos".

O ETA pretende "acelerar as contradições internas do PNV". Por um lado, "aprofundar e potencializar os contatos com o setor mais soberanista", reunido em torno de Joseba Egibar, e animá-lo a se integrar à aliança nacional para "saltar do autonomismo para o independentismo". Por outro, esboçar "ações pontuais" contra os "setores mais espanholistas" do PNV. "Cartas-bomba, ataques, execuções concretas." O ETA não poupa munição contra esse outro setor, ao qual responsabiliza pelas sucessivas traições. Por enquanto tudo são papéis. Mas a história do ETA demonstra que os terroristas sempre escrevem antes o que depois põem em prática.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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