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31/07/2009

Chávez pede que Espanha represente os interesses da Venezuela em Israel

El País
Miguel González
Enviado especial a Caracas (Venezuela)
Em um salão do palácio presidencial de Miraflores, dominado por um retrato do libertador Simón Bolívar, o comandante Hugo Chávez e o ministro espanhol das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, presidiram a assinatura de contratos com algumas das grandes companhias espanholas do setor de energia e eletricidade, Repsol-YPF e o consórcio formado por Iberdrola e Elecnor. Além disso, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, e Moratinos assinaram um acordo para criar uma comissão mista que revise os processos dos quase 200 espanhóis que foram objeto de ocupação ou desapropriação de propriedades.

Uma grande delegação empresarial espanhola e uma ampla representação do regime de Chávez, incluindo uma dúzia de ministros, participaram do ato solene em que Chávez passou quase uma hora falando, apesar de prometer ser "relativamente breve", dialogando às vezes com o auditório que o interrompia com ovações.

Ele lamentou que a Venezuela "tenha se transformado em um assunto da política interna espanhola", o que atribuiu a "alguns setores" que disse não entender. Enviou uma saudação "a nosso amigo, o rei" e afirmou que está sempre "esperando que nos visite", tanto dom Juan Carlos como o primeiro-ministro Zapatero, do qual elogiou a firmeza diante do golpe de Honduras.

No final de sua intervenção, Chávez condenou o último atentado do ETA e, apesar de dizer que não tinha dados para identificar seus autores, fez um apelo para "os que tenham executado esse ato que deixem as bombas, os fuzis e a violência". Um gesto que tem especial valor em um regime que flertou com os movimentos armados. Ele mesmo garantiu que ainda guarda no armário "meu uniforme de campanha e meu fuzil. O que querem? Que saiam de novo as colunas guerrilheiras?", disse, depois de defender as mudanças pacíficas na América Latina.

Mas a maior demonstração de confiança entre os dois países é o pedido que Chávez fez a Moratinos, segundo fontes diplomáticas: que a Espanha represente os interesses da Venezuela em Israel, país com o qual rompeu relações devido aos bombardeios de Gaza em janeiro passado. Será uma tarefa delicada, já que o chefe da diplomacia israelense, o ultradireitista Avigdor Lieberman, acusou a Venezuela de acolher militantes do grupo xiita Hizbollah, considerado terrorista.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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