UOL Notícias Internacional
 

31/07/2009

ETA dissimula fragilidade e promove atentado espetacular

El País
O bando terrorista ETA voltou a cometer um atentado pelo método de carro-bomba. O lugar escolhido foi a casa-quartel da Guarda Civil em Burgos, onde se encontravam 114 pessoas, das quais 41 crianças. O volume da carga explosiva e o fato de que não houve aviso prévio indicam que os terroristas pretendiam cometer uma chacina. Por sorte, o balanço não conta vítimas mortais, embora sim cerca de 50 feridos, além de danos ao quartel e alguns edifícios próximos. Trata-se, portanto, de um atentado fracassado que no entanto deu prova irrefutável de até onde os terroristas estão dispostos a chegar em seu desprezo pela vida.

  • A explosão de um carro-bomba na madrugada desta quarta-feira deixou pelo menos 60 pessoas feridas na cidade de Burgos, no norte da Espanha. A explosão ocorreu por volta das 4h da manhã (horário local, 23h da terça-feira no Brasil) do lado de fora de um edifício de 14 andares da Guarda Civil. De acordo com a polícia, as vítimas apresentam apenas ferimentos leves, a maioria devido aos estilhaços de vidro por conta da explosão das janelas do prédio

O último atentado mortal do bando ocorreu em 19 de junho passado, quando assassinou o policial nacional Eduardo Pueyes colocando uma bomba sob seu carro. Agora os terroristas pretenderam lançar uma cartada criminosa de maiores dimensões, como se quisessem dissimular sua fragilidade e seu isolamento por trás de uma ação espetacular.

Se os terroristas optaram pelo carro-bomba e não pelo atentado seletivo é porque sabem que seus crimes não vão dobrar as instituições nem os cidadãos, e pensam que multiplicando o terror aumentam as possibilidades de impor sua vontade. Na realidade, o único que acrescentam é a repugnância contra seus métodos. Sobretudo quando, como na quarta-feira em Burgos, tentam cometer um atentado brutal indiscriminado disfarçando-o de ataque contra a Guarda Civil. Só o acaso de não terem ocorrido vítimas mortais nos poupou escutar seu argumento vergonhoso de que os agentes se escondem atrás de suas famílias ou de seus vizinhos, segundo fizeram em outras ocasiões.

Os terroristas se obstinam em continuar matando enquanto os acontecimentos a seu redor vão desmentindo uma a uma suas pretensões. Se no passado nada os autorizava a falar em nome dos bascos, com menos razão ainda no presente. O governo de Ajuria Enea resultante das últimas eleições não defende sequer um ideário nacionalista, com o que as esperanças dos terroristas não só não estão mais perto de se cumprir, como se afastaram.

Da mesma maneira, o Tribunal de Estrasburgo pôs fim aos recursos contra a ilegalização dos partidos que, como o Batasuna, atuaram em diversas eleições como braço político dos terroristas. Os juízes europeus não fizeram outra coisa senão pôr letra jurídica no que ditava o senso comum: não é tolerável que um partido ofereça cobertura política a um bando que entretanto assassina os que pensam de modo diferente. Se a condescendência da esquerda radical basca depois de cada crime terrorista foi um sinal de cumplicidade, hoje é também uma prova de sua irrelevância diante dos pistoleiros.

Os terroristas estão presos em um círculo vicioso que só conseguirão romper no dia em que decidirem renunciar ao crime. Se imaginavam que a bomba de Burgos constituiria sua peculiar maneira de apresentar recurso contra a sentença de Estrasburgo, veem que, pelo contrário, demonstra sua necessidade e seu acerto em todos e cada um de seus extremos. Como neste momento os terroristas têm todas as portas fechadas, confiam em que só uma atrocidade nunca vista lhes permitirá forçar uma saída diferente à simples aplicação da lei. Nada disso está hoje sobre a mesa, e sim a determinação de combatê-los policial e judicialmente, compartilhada pela totalidade das forças políticas democráticas. A colheita do ETA é estritamente uma colheita de sangue, que as instituições e os cidadãos rejeitam processar em chave política. E agora, além disso, com o apoio inequívoco de Estrasburgo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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