UOL Notícias Internacional
 

01/08/2009

ETA assassina dois guardas civis para demonstrar que continua existindo

El País
Em seu rumo a lugar nenhum, os terroristas somaram duas novas vítimas a sua interminável lista de atrocidades. O atentado de Burgos, apenas 24 horas antes do cometido ao meio-dia de quinta-feira em Maiorca que custou a vida de dois guardas civis, além de um terceiro frustrado pelo esquadrão antibombas no quartel de Palmanova, revelaram a principal preocupação do bando neste momento: exibir sua disposição a continuar matando só para mostrar que existe.

  • AP Photo/Manu Mielniezuk

    Guardas carregam os caixões dos dois agentes mortos na quinta-feira em um ataque do ETA

É provável que, ao prever um lapso tão breve entre a colocação da sequência de bombas, os terroristas pretendessem criar um clima de medo capaz de desencadear a espiral que almejam desde suas mais antigas ações: uma cidadania clamando diante das instituições para que ponham fim ao terror a qualquer preço e instituições que, por sua vez, se revelassem incapazes de compensar o desespero da cidadania. Até que os terroristas se convençam de que não existe avanço possível por esse caminho ignominioso, não cabe descartar novos atentados.

Tampouco nesta ocasião a intenção dos terroristas sobre o desespero dos cidadãos se transformou em realidade. Entre outras razões porque o sistema democrático na Espanha conseguiu abrir passagem entre seus crimes em momentos muito mais difíceis que os atuais, quando seus atos estimulavam as correntes retrógradas que também tentavam destruir as incipientes instituições do Estado de direito. Os cidadãos aprenderam, porque o absurdo dos atos criminosos de Burgos e Maiorca o mostraram, que contra o terrorismo não existem receitas mágicas, nem à margem da lei nem pela via de tentar um diálogo com eles.

Espanhóis condenam com silêncio
os atos violentos da ETA

  • Milhares de espanhóis expressaram em silêncio sua condenação aos recentes atentados cometidos pelo grupo terrorista ETA. Na madrugada de quarta-feira, mais de 60 pessoas ficaram feridas com a explosão de uma caminhonete carregada com 200 quilos de explosivos em frente a um quartel em Burgos, no norte da Espanha. Na quinta, outro ataque causou a morte de dois Guardas Civis na ilha mediterrânea de Mallorca. Nesta sexta, dia em que a ETA completa 50 anos, as Prefeituras dos municípios espanhóis foram palco de manifestações pacíficas contra a violência. A organização terrorista criada no dia 31 de julho de 1959 já matou quase mil pessoas em sua luta pela independência do País Basco

Se o primeiro caminho é impossível por imperativo do Estado de direito que eles desprezam e de uma consciência moral que se recusa a dispor da vida de alguém, incluindo a dos assassinos, o segundo está definitivamente fechado porque assim o quis o bando e porque o Estado tomou nota da experiência com três primeiros-ministros diferentes. É absurdo que os terroristas sonhem em voltar a uma impossível mesa de negociação através das bombas, quando foi através das bombas que a abandonaram em cada uma das ocasiões que tiveram.

O governo, a oposição e praticamente a totalidade das forças políticas aprenderam a lição: a ação policial e judicial, além das iniciativas para isolar socialmente os terroristas, é a única estratégia que fica de pé e em torno da qual existe um amplo e implícito consenso. Além, é claro, da cooperação internacional, que deu um apoio decisivo com a recente sentença do Tribunal de Estrasburgo aprovando a dissolução do Batasuna. Com essa série de atentados o bando só faz confirmar a justiça dá sentença, tornando mais estreito o beco em que se adentra cada vez mais e do qual só existe uma saída: parar de matar.

A busca de espetaculosidade por parte dos terroristas já não confunde ninguém: é o mesmo que vêm fazendo há exatamente 50 anos hoje, cada vez que se encontraram contra as cordas. Para cometer atentados como os de Burgos e Maiorca não é preciso muita força, mas sim muito poucos escrúpulos. Os terroristas, sem dúvida, demonstraram não ter nenhum, mas isso não lhes dá vantagem diante de instituições e cidadãos que continuam condenando suas atrocidades. E, além disso, condenando-as da maneira mais eficaz diante dos assassinos, cumprindo cada qual seu papel: a polícia deterá os culpados, os juízes os julgarão e os cidadãos continuarão apoiando as instituições. Os terroristas, presos a sua loucura, só terão conseguido somar duas vítimas a seu saldo sinistro.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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