UOL Notícias Internacional
 

01/08/2009

Fragilizado, ETA pôs em ação tudo o que tem

El País
Aitor Guenaga
Em Bilbao (Espanha)
Apesar da fragilidade do bando terrorista ETA, depois das sucessivas desarticulações de seu aparelho militar desde novembro de 2008 - incluindo seu chefe mais carismático, Garikoitz Aspiazu Rubina, o "Txeroki" -, a ofensiva em curso demonstra sua capacidade de regeneração. Fontes da luta antiterrorista indicaram na quinta-feira a "El País" que o ETA "praticamente queima seus navios com esses atentados. Pôs para funcionar tudo o que tem", indicaram.

Espanhóis condenam com silêncio
os atos violentos da ETA

  • Milhares de espanhóis expressaram em silêncio sua condenação aos recentes atentados cometidos pelo grupo terrorista ETA. Na madrugada de quarta-feira, mais de 60 pessoas ficaram feridas com a explosão de uma caminhonete carregada com 200 quilos de explosivos em frente a um quartel em Burgos, no norte da Espanha. Na quinta, outro ataque causou a morte de dois Guardas Civis na ilha mediterrânea de Mallorca. Nesta sexta, dia em que a ETA completa 50 anos, as Prefeituras dos municípios espanhóis foram palco de manifestações pacíficas contra a violência. A organização terrorista criada no dia 31 de julho de 1959 já matou quase mil pessoas em sua luta pela independência do País Basco

Em pouco mais de 34 horas aplicou dois golpes exatamente contra o órgão que mais danos lhe causou dos dois lados da fronteira. Em 22 de julho passado se completou um ano da desarticulação por parte da Guarda Civil da trama de "legais" (não contratados) tecida pelos dois "liberados" (assalariados) do comando Vizcaya do ETA, Arkaitz Goikoetxea Basabe e Jurdan Martitegi Lizaso, este último detido pela polícia em 19 de abril passado quando já dirigia o aparelho militar depois da queda de Txeroki e de Aitzol Iriondo, o Gurbitz. E os agentes do instituto armado, em colaboração com os serviços antiterroristas franceses, puseram de ponta-cabeça reiteradamente na França o aparelho militar, o político, o de falsificação e o logístico nos últimos dois anos.

O ETA também parece ter posto em pleno rendimento a oficina situada em território francês de onde saem os carros-bombas que depois são recolhidos pelos legais, e às vezes pelos liberados do bando situados na Espanha, como demonstrou a forma de operar do último comando Vizcaya. O carro usado pelo ETA em Burgos foi roubado em abril passado. Mais da metade dos carros-bombas que explodiram desde que o ETA rompeu a trégua procediam da França.

Paralelamente, o bando conseguiu reconstruir, com "os restos" do comando Vizcaya anterior, desarticulado em julho passado, uma rede de legais que possivelmente já é liderada por um liberado, segundo a hipótese levantada pelas fontes policiais. Essa rede é a que está por trás dos últimos atentados realizados em Vizcaya ou em alguma comunidade limite como Cantábria, como a explosão de uma repetidora em Castro Urdiales em 6 de maio passado.

O assassinato com uma bomba em 19 de junho no município vizcaíno de Arrigorriaga do comandante da luta antiterrorista da polícia, Eduardo Puelles, é atribuído a esse grupo, assim como o recente atentado contra a Casa do Povo de Durango, executado por dois legais em 9 de julho passado. Exceto este último atentado, o ETA voltou a retomar seus objetivos mais clássicos: as forças de segurança, as que menos contradições internas geram entre seu mundo político, um mundo que demonstrou ter uma falta de escrúpulos tão grande quanto sua incapacidade de se emancipar da organização terrorista.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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