UOL Notícias Internacional
 

01/08/2009

Ilha de Maiorca tenta recuperar atividade turística em meio aos atos fúnebres

El País
Manu Menéndez
Em Palma de Maiorca (Espanha)
Palmanova tentou retomar na sexta-feira uma certa normalidade depois do atentado de quinta, o primeiro com vítimas mortais na história de Maiorca. Na metade de uma alta temporada marcada de antemão pela crise, o aspecto que oferecia essa área turística estava longe do habitual nessa data, sempre cheio. As praias estiveram semivazias e as piscinas dos hotéis, lotadas. A maioria dos turistas decidiu não se mover dos hotéis. Um barraqueiro traduziu em números: "Esta manhã devemos ter alugado um quarto a menos das redes que alugamos normalmente". Na véspera, os bares e discotecas também notaram uma redução na frequência de clientes.

Espanhóis condenam com silêncio
os atos violentos da ETA

  • Milhares de espanhóis expressaram em silêncio sua condenação aos recentes atentados cometidos pelo grupo terrorista ETA. Na madrugada de quarta-feira, mais de 60 pessoas ficaram feridas com a explosão de uma caminhonete carregada com 200 quilos de explosivos em frente a um quartel em Burgos, no norte da Espanha. Na quinta, outro ataque causou a morte de dois Guardas Civis na ilha mediterrânea de Mallorca. Nesta sexta, dia em que a ETA completa 50 anos, as Prefeituras dos municípios espanhóis foram palco de manifestações pacíficas contra a violência. A organização terrorista criada no dia 31 de julho de 1959 já matou quase mil pessoas em sua luta pela independência do País Basco

O governo das ilhas Baleares [sudeste da Espanha, no mar Mediterrâneo] e o setor turístico se uniram para atenuar, com as ações que forem necessárias, os danos que o atentado possa causar à imagem internacional das ilhas. "O ETA matou a temporada de verão", lamentou o proprietário de uma loja de suvenires. A caixa de um supermercado lhe deu razão: "É claro que este ano os negócios acabaram". Mais otimista, o presidente da Federação Hoteleira de Maiorca, Antoni Horrach, se felicitou porque "nos hotéis e nas praias se respira calma e tranquilidade".

Milhares de pessoas se concentraram às 7 da tarde de ontem no estacionamento de Palmanova, a poucos metros do lugar do atentado, sob o lema "Todos juntos contra o terrorismo". Depois dos discursos das autoridades, tomou a palavra um irmão de Diego Salvà, um dos agentes mortos: "Amo meu irmão e nunca poderei me esquecer dele. Obrigado por virem. Só queria dizer que todos juntos somos muito mais fortes". Entre lágrimas, a namorada de Salvà também se dirigiu aos participantes para pedir justiça.

Diego Salvà, de 27 anos, nascido em Pamplona, residia em Maiorca desde os 3 e pertencia a uma família muito conhecida na ilha. Seu pai, Antoni Salvà Verd, é urologista há décadas em vários hospitais. O pai cursou medicina na Universidade de Navarra, onde conheceu a que seria sua mulher, Montserrat Lezaún Portillo, com quem teve sete filhos. Diego foi o segundo, e mais tarde se decidiu pela vocação militar, herdada de seu avô materno, que foi agente da Guarda Civil, e de seu tio, da Polícia Nacional. Depois de trabalhar como vigilante de segurança em um centro comercial de Palma, ingressou há um ano no Instituto Armado, onde exercia como agente em práticas desde janeiro passado. Seus familiares o definem como "um rapaz simpático, brincalhão, amante das motos e torcedor fanático do Osasuna".

Sua paixão pelas motos quase lhe custou a vida há apenas quatro meses, quando sofreu um grave acidente ao se chocar com outra motocicleta que invadiu sua pista em uma estrada maiorquina. Durante várias semanas permaneceu em coma no Hospital Sant Joan de Déu de Palma e, contra todos os prognósticos, se recuperou. Havia se reincorporado ao serviço na última segunda-feira.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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