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02/08/2009

NASA projeta futuros veículos que percorrerão a Lua

El País
Alicia Rivera
Em Madri (Espanha)
Um veículo elétrico para todos os terrenos, capaz de subir inclinações de até 40 graus, com rodas pivotantes e cabine pressurizada na qual os astronautas poderão passar vários dias com roupas comuns (em vez do traje de astronauta), com poltronas que se transformam em cama e banheiro com ducha. Esta é a ideia geral que os engenheiros da NASA fazem do veículo que devem construir para o retorno dos astronautas à Lua, depois de 2020. Ainda é preciso desenvolver muita engenharia e realizar muitos testes, mas já existe um protótipo desse veículo elétrico lunar [ou LER, na sigla em inglês], que a agência espacial exibiu no desfile de posse do presidente Barack Obama em janeiro passado.

  • Regan Geeseman/Nasa
É claro que a NASA conta com toda a experiência adquirida com os veículos das missões Apollo (o primeiro veículo de transporte lunar chegou ao satélite com a Apollo 15, em 1971), mas as tecnologias e as ambições mudaram muito desde então. "Quando fomo à Lua pela primeira vez foi como uma excursão de camping e não importava que as coisas quebrassem sempre nem quando os astronautas voltariam para lá", comenta Franck Peri, diretor do Programa de Desenvolvimento de Tecnologias de Exploração da NASA. "A próxima vez será uma viagem para ficar lá", informa o Space.com.

Os conhecimentos de robótica para explorar outros mundos evoluíram com os programas dos veículos exploradores em Marte, ainda que o planeta seja diferente da Lua e exija uma tecnologia diferente. A lição mais recente que os cientistas estão aprendendo no planeta vizinho é como desatolar o veículo automático Spirit, que, desde abril passado, está preso num banco de areia em Marte. Numa sala de testes do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, Califórnia) a situação do veículo foi simulada para ensaiar manobras de saída antes de enviar os comandos.

O Spirit, que chegou à Marte quase ao mesmo tempo que seu gêmeo Opportunity, no começo de 2004, avançou por umas camadas de solo aparentemente duras que cobriam um banco de areia e acabou atolado em abril. Os especialistas estão otimistas e continuam testando estratégias na chamada sala de areia do JPL, com uma réplica do Spirit. Há alguns dias eles conseguiram fazer o veículo se mover um centímetro, o que é pouco, mas significa que ele é capaz de se movimentar. Os cientistas da missão não perdem tempo; ao contrário, estão encantados estudando, com os instrumentos do veículo, as camadas de solo de cor escura, amarela, branca e vermelha desse lugar de Marte batizado como Troia.

"Estamos operando os veículos semiautomáticos em Marte há cinco anos e temos uma boa compreensão de seu funcionamento no dia-a-dia e de como atuam, mas haverá mudanças significativas nas estratégias de operação com os veículos lunares", afirma Aileen Yingst, cientista do Instituto de Ciências Planetárias de Tucson e veterana da missão dos veículos marcianos. Agora ela está envolvida com os veículos lunares e a primeira coisa que assinala quanto às diferenças entre os dois é que, enquanto a comunicação com Marte pode levar até 40 minutos para que o sinal vá e volte, com a Lua isso acontece numa questão de segundos. Um atraso talvez incômodo, mas não tão grande que obrigue a enviar todas as tarefas para um dia ou mais para que o robô execute por si mesmo. Na exploração lunar haverá robôs autônomos, mas também astronautas.

Os veículos autônomos contarão com câmeras, espectrômetros e outros instrumentos científicos, parecidos com os de Marte, mas adaptados às exigências lunares. Yingst e sua equipe têm planejado testes nas zonas vulcânicas do Novo México e no permafrost [solo congelado] do Alaska, parecidos com as superfícies lunares.

O veículo elétrico lunar é na realidade a soma de dois componentes: um chassi de tração e um módulo habitável, pressurizado, onde os astronautas podem viver até 14 dias com muito conforto. Uma das vantagens é que eles não terão que usar os trajes espaciais exagerados e incômodos. Além disso, para sair do veículo, será fácil vesti-los, uma vez que estarão presos à parede do módulo, por fora, com as costas acopladas a uma eclusa pela qual os astronautas poderão vestir as roupas a partir da cabine. Outra eclusa permitirá acoplar o LER a outro módulo habitável ou a outro LER, sem que os astronautas tenham que se expor ao hostil ambiente lunar.

O veículo, de cerca de 4 toneladas terrestres no total (3 toneladas da cabine e uma do chassi) poderá carregar outras tantas. Num suporte multiuso serão colocados equipamentos, gruas ou ferramentas. Ele terá baterias recarregáveis de íons de lítio e uma autonomia de cerca de 240 quilômetros. Com suas 12 rodas rotatórias, o LER pode andar de lado, como os caranguejos, o que o torna muito manejável. Como um veículo para todos os terrenos, poderá circular por superfícies acidentadas e enfrentar inclinações de até 40 graus.

A NASA já fez testes de protótipos no Arizona, em terrenos basálticos, mas os engenheiros do projeto (que faz parte do programa Constellation, de novos sistemas de exploração espacial) esperam apresentar as novidades a medida que elas forem surgindo ao longo dos próximos 10 a 15 anos, que é o tempo mínimo que um veículo assim levará para colocar suas rodas na Lua.

Tradução: Eloise De Vylder

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