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02/08/2009

Opinião: o malabarismo que Obama precisa fazer para agradar a sociedade

El País
Por Francisco G. Basterra
Obama, recebido como o messias, já perdeu sua roupa de super-homem para se transformar num malabarista de rua que realiza um difícil jogo de precisão com pelo menos seis bolas no ar.

Apesar disso, ele ainda não deixou nenhuma cair, mas os espectadores, de acordo com pesquisas que refletem uma queda moderada de popularidade do presidente para cerca de 53%, temem que o artista perca a magia que encantou o mundo num fulgurante início de espetáculo.

A primeira bola, vermelha, é possivelmente a mais pesada e difícil de manejar e seu voo depende em grande parte do contrapeso do Congresso:
a reforma da saúde, que dará legitimidade política ou quebrará a presidência de Obama.

Barack dediciu jogá-la a fundo porque os EUA são o país que dedica mais dinheiro à saúde e recebe uma assistência extremamente deficiente, que ameaça quebrar as finanças públicas e além disso deixar 46 milhões de cidadãos sem nenhuma cobertura médica.

Acontece que quanto mais o presidente explica o que pretende fazer, em diálogos diretos com a população no Capitólio, os cidadãos menos o entendem e duvidam da generosidade de uma mudança no sistema.

Algo ininteligível, visto da Europa. Da mesma forma que não é possível entender, dentro da política interna de Obama, o autismo de Wall Street, que continua fazendo o que quer e não aprendeu nada.

O promotor de Nova York denunciou na quinta-feira que dois ex-grandes bancos, o Citigroup e o Merrill Lynch, pagaram bônus de mais de um milhão de dólares por cabeça a 1.400 executivos em 2008, depois de perder 55 milhões de dólares.

Bola número 2: Oriente Médio. Desde a chegada de Obama à presidência, só um país, entre 25 grandes nações, piorou sua relação com os Estados
Unidos: Israel.

A pesquisa multinacional com 27 mil entrevistados feita pelo Pew Global Attitudes Project (pewglobal.org), que perguntou como o mundo vê os Estados Unidos, reflete uma clara melhoria de sua imagem e de sua política exterior desde o começo da presidência.

A esponja de Barack Obama serviu para lavar a cara feia dos Estados Unidos. Este é, por enquanto, o primeiro êxito mensurável dos EUA de Obama.

A recuperação da imagem aconteceu sobretudo na Europa Ocidental:
Alemanha (melhorou 79%), França (78%) e Espanha (64%). Também é notável na América Latina, principalmente no México, Brasil e Argentina, nesta ordem. A China e a Índia também percebem mais positivamente o papel dos EUA no mundo, diferentemente da Rússia, onde apenas 1 em cada 3 habitantes acredita em Obama.

A esponja não funcionou tão bem no mundo muçulmano, com exceção do Egito e do entusiasmo que Barack desencadeia, por motivos familiares, na Indonésia.

A animosidade contra os EUA não cede, e é profunda, no Paquistão, nos territórios palestinos e na Turquia. Washington e Israel parecem estar em rumo de colisão.

Obama, como aconteceu com Bill Clinton em 1996, chocou Benjamin Netanyahu com a exigência de que interrompesse a construção de novos assentamentos de colonos judeus na Cisjordânia.

Esta semana Obama enviou a Jerusalém o enviado especial para o Oriente Médio George Mitchell, o secretário de Defesa Robert Gates e seu conselheiro de Segurança Nacional para tratar de abrir uma brecha na muralha do governo direitista israelense e impedir que ele sabote o processo de paz com os palestinos.

Mas a história se repete. "Quem esse merda do Netanyahu acha que é?".
Essa frase reveladora foi pronunciada por Clinton, irritado depois de seu primeiro encontro com Netanyahu há 13 anos.

Quem conta o episódio é Aaron David Miller, conselheiro para Oriente Médio de seis secretários de Estado norte-americanos, em seu brilhante livro com o sugestivo título "The Much Too Promised Land" [algo como "A Terra Prometida Demais"].

Bola 2. Irã. E se as ruas ganharem a disputa contra os clérigos? Ou, pelo contrário, se Ahmadinejad, apoiado nos Guardiães da Revolução, triunfar e endurecer sua postura contra o Grande Satã ianque? O que Obama deve fazer?

Pedir tempo, manter a oferta de negociar, ou aceitar finalmente a bomba islâmica? Bola 3. Afeganistão. A guerra de Obama, que os norte-americanos aceitaram com dentes cerrados depois da sangria do Iraque, e que é rejeitada totalmente pela opinião pública ocidental. Bola 4. Rússia. Bola 5. A mudança climática. Bola 6. China.

O encontro dessa semana em Washington consolida a imagem do verdadeiro G2. "Esta relação vai definir o século 21", disse Obama. E a Europa?
Não está, nem se espera. A pequena e pesqueira Islândia bate à porta e da UE e nos anuncia que o britânico Tony Blair - lembram-se dele? - poderia ser nosso primeiro presidente. Até o momento, 32 mil cidadãos assinaram contra.
Tradução: Eloise De Vylder

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