UOL Notícias Internacional
 

05/08/2009

Cisjordânia levanta a cabeça: O governo de Abbas consegue reduzir a violência no território e economia cresce

El País
Juan Miguel Muñoz
Em Jenin (Palestina)
A recepção em Jenin, Hebron ou Nablus é idêntica. Veículos das forças de segurança palestinas e agentes bem armados vigiam as entradas das cidades. Em mercados, rotatórias e edifícios públicos, policiais montam guarda. Onde estão os cartazes dos mártires caídos na luta contra Israel que antes forravam as paredes de qualquer rua? Quase desaparecidos. E os delinquentes que se pavoneavam de fuzil em riste? Apaziguados. Só os uniformizados usam armas. E as bandeiras do Hamas e da Jihad Islâmica? Escondidas. Só se veem as dos outros partidos. O primeiro-ministro Salam Fayad e o presidente Mahmud Abbas lavaram o rosto da Cisjordânia.
  • Abbas Momani/AFP

    Mahmud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), durante a convenção do Fatah



Quase todos os palestinos concordam. A polícia civil, encarregada de combater a criminalidade, executa sua missão a gosto de todos. O roubo de veículos despencou e as crianças vão sozinhas ao colégio. Não há meliantes de óculos escuros. As forças de segurança treinadas na Jordânia pelo general americano Keith Dayton têm outro objetivo: reprimir com empenho o Hamas. É uma aposta de risco. Se não se alcançar no futuro um acordo político com Israel, esses soldados poderão voltar suas armas contra seus patronos de Israel. E já aconteceu. Um de seus instrutores ocidentais explicou a este jornal: "Dissemos a eles que sua missão é proteger a segurança de Israel. Têm dificuldade para admitir isso. Mas o fazem". Os palestinos sabem. Mil islâmicos foram presos pela Autoridade Palestina. ONGs denunciam que dez deles morreram torturados. O assédio contra os fundamentalistas se acentua.

Os ataques contra israelenses da Cisjordânia brilham por sua ausência ou inocuidade. Os generais israelenses declaram sua satisfação pelo desempenho de seus colegas palestinos. Mas isso tem um preço. "Veem-nos como colaboracionistas de Israel", admitiu um oficial em Jenin. Onde estão as pessoas que em 2006 deram a vitória ao Hamas nas eleições? Quase ninguém confessa sua simpatia pelos islâmicos. Há medo. A perseguição é dura. Para outros há recompensa.

O governo israelense, pressionado por Washington, relaxou ultimamente o regime desesperador dos controles militares. Antes os carros tinham passagem proibida no controle de Hawara, ao sul de Nablus, o mais restrito até dois meses atrás. Agora o atravessam quase sem revista. Abriu-se uma estrada em Hebron que ficou fechada para os palestinos durante oito anos, e o cruzamento de Allenby, na fronteira com a Jordânia, abre durante mais horas a cada dia. É uma melhora ligeira, porque em dezenas de povoados as saídas para as estradas continuam fechadas e as filas de carros de placa palestina - os israelenses têm uma faixa para não parar - continuam longas. Contudo, comerciantes e cidadãos agradecem o alívio.

Basil Dar Mohamed vende eletrodomésticos no povoado de Hawara: "Agora vou a Nablus, a 10 quilômetros, duas vezes por dia sem dar uma volta de 38 quilômetros. Posso ir a Hebron sem que me parem. Embora os soldados israelenses continuem montando controles em um minuto. As forças de segurança palestinas trabalham bem, mas toda semana os colonos judeus queimam campos e então os militares israelenses fecham a zona e se acabou o negócio". É só o começo. Em Jenin e Ramallah acabam de se inaugurar luxuosos centros comerciais. "Tudo o que se precisa para uma casa pode ser encontrado aqui", diz o orgulhoso Ziad Turabi, gerente do Herbawi Mall de Jenin. Em Nablus foi aberto um cinema e em Jenin haverá outro em novembro. A economia da Cisjordânia renasce. Suavemente. O Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento do PIB para este ano de 7%. Mas estava tão afundada que o reinício também não é um milagre.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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