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06/08/2009

Hillary Clinton chega à África para recuperar o terreno perdido para a China

El País
David Alandete
Em Washington (EUA)
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, começou nesta quarta-feira uma visita oficial a sete países da África subsaariana, buscando apoiar as nascentes democracias do continente em sua luta contra o islamismo radical e a pirataria que se refugia nas costas do oceano Índico. Clinton também tentará garantir a presença econômica dos EUA na região, ameaçada pela China, país que aumentou drasticamente seus negócios na África nos últimos anos.

  • AFP PHOTO/ SIMON MAINA
A primeira escala de Clinton, na quarta-feira, foi no Quênia, país que viu nascer o pai do presidente Barack Obama. Ali, em um encontro com líderes locais sobre livre comércio, Clinton atacou diretamente a corrupção e a violência política que assolam o país. "O verdadeiro progresso econômico da África depende de que haja governos responsáveis que rejeitem a corrupção, façam cumprir a lei e ofereçam progresso à cidadania", disse.

No auditório estavam o presidente do país, Mwai Kibaki, e o primeiro-ministro, Raila Obinga, que se enfrentaram pelo poder nas eleições de 2007, em um conflito no qual morreram mais de mil pessoas.

Em entrevista coletiva posterior, a secretária de Estado criticou abertamente os políticos dos quais era hóspede. "O fato de que aquela crise foi resolvida não significa que tenha ocorrido o tipo de avanço de que a população do Quênia necessita", disse. "Em vez disso, vemos a ausência de instituições democráticas fortes e úteis, o que permitiu que haja corrupção, impunidade, violência política e falta de respeito à lei."

Interesses e investimentos chineses na África são cada vez maiores

A China encontrou na África o território virgem e promissor que no início do século 21 lhe permite saciar sua sede de recursos, assim como os EUA tiveram o oeste no século 19 e a Europa, até o século 20, teve o resto do mundo. Em 2008 o comércio entre China e África alcançou o valor de 76 bilhões de euros, dez vezes mais que em 2000 e quatro vezes mais que o total da ajuda oficial ao desenvolvimento recebida pelo continente africano em 2008

Também no Quênia, Clinton se reuniu com o presidente da Somália, o xeque Sharif Sheikh Ahmed, que assumiu o cargo neste mesmo ano e que tem pela frente uma das tarefas mais formidáveis do continente: enfrentar o grupo terrorista jihadista Al-Shabaab, estreitamente ligado à Al Qaeda. Ahmed é um islâmico moderado que tomou posse em janeiro, com a promessa de acabar com os conflitos civis que assolaram o país nas últimas duas décadas. "Meu governo considera este encontro com a secretária de Estado Hillary Clinton uma oportunidade de ouro para a população e o governo da Somália", disse recentemente Ahmed.

A Somália é um país sem Estado, com um governo incapaz de controlar seus próprios territórios e cujos portos são refúgio seguro para piratas como os que capturaram o capitão americano Richard Philips em abril passado. Seu principal problema interno é o terrorismo islâmico. O presidente Obama enviou ao governo somali em junho passado uma remessa de armas e munição para lutar contra aqueles rebeldes. Em maio, a Al-Shabaab sitiou a capital, Mogadíscio, assassinando cerca de 200 pessoas. Os analistas políticos esperam que Clinton ofereça um aumento nessa ajuda militar.

Posteriormente, a secretária de Estado americana viajará para a África do Sul. Dali passará a Angola, que ocupa o quinto lugar na lista de países que exportam petróleo para os EUA e que também é o principal parceiro comercial da China na África. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, visitou a capital, Luanda, há três anos e concedeu ao governo local um empréstimo de 6,25 bilhões de euros (cerca de R$ 17 bilhões) para melhorar suas infra-estruturas, que será pago com remessas de petróleo. À parte sua vontade de combater o extremismo, Clinton tentará contrabalançar o peso que a China conquistou na região com seus volumosos investimentos. O regime comunista chegou ao extremo de ser o maior exportador para o continente, com uma parcela de quase 10% do mercado, segundo dados de 2007 do Departamento de Comércio americano. Washington fica em um discreto segundo lugar, com 5% das exportações.

Depois das visitas citadas, a secretária também viajará à República Democrática do Congo, Nigéria, Libéria e Cabo Verde, antes de retornar a Washington no próximo dia 14. Esta viagem de 11 dias de duração é a mais longa em que Hillary Clinton embarcou desde que chegou ao Departamento de Estado.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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