UOL Notícias Internacional
 

06/08/2009

O uso de bases colombianas pelos EUA causa mal-estar na região

El País
Pilar Lozano
Em Bogotá (Colômbia)
Com visitas a seis presidentes sul-americanos, visitas "mudas" porque serão feitas sem declarações à imprensa, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, pretende aplacar o reboliço que provocou na região seu acordo que permitirá aos EUA utilizar sete bases militares colombianas, para compensar o fechamento da base equatoriana de Manta.

A maratona de Uribe - acompanhado de seu ministro das Relações Exteriores, Jaime Bermúdez - começou na terça-feira ao meio-dia e inclui Peru, Chile, Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Uribe se antecipa assim à reunião da União de Nações Sul-americanas (Unasul) na próxima segunda-feira no Equador, onde seus homólogos o esperavam para pedir explicações sobre as implicações do acordo, ainda não assinado. Quito mantém seu rompimento de relações diplomáticas com a Colômbia desde março de 2008, e por isso Uribe decidiu entregar a informação diretamente a alguns mandatários da região sul-americana.

Chile e Brasil expressaram sua preocupação e pedem "transparência"; Venezuela e Equador, que não estão incluídos na viagem, deram o alarme e já preveem um desembarque militar americano.

O comandante das Forças Armadas da Colômbia, general Freddy Padilla, confirmou na terça-feira que os EUA terão acesso a sete bases: três da força aérea, duas da marinha e duas do exército. Trata-se das bases de Cartagena, Larandia (departamento de Caquetá), Tolemaida e Palanquero (Cundinamarca), Málaga, na região do Pacífico, Apiay (Meta) e Malambo (Atlântico). A base de Palanquero, no centro do país, é a unidade de combate mais poderosa da aviação militar colombiana.

Os EUA vão investir 32 milhões de euros (cerca de R$ 86,4 milhões) para adequar as instalações a suas necessidades operacionais. Sabe-se que chegarão aviões de espionagem eletrônica capazes de detectar comunicações a milhares de metros de altitude - os E-3 AWACS e P-3 Orion até agora estacionados na base equatoriana de Manta - e aeronaves de carga para mobilização de equipamentos. Um deles poderia ser o C-17, que gera grandes suspeitas: um documento do Comando Sul, que fala sobre o interesse dos EUA na base de Palanquero, afirma que dali, em um avião desse tipo, "pode-se cobrir quase a metade do continente sem reabastecer combustível".

O governo colombiano afirmou que não será aumentada a presença de efetivos americanos (limitados a 800 militares e 600 contratados). A partir da assinatura do acordo, a Colômbia contará com mais ajuda tecnológica e informação de espionagem "em tempo real", chave na guerra contra o narcotráfico, a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o tráfico de armas. A cúpula militar colombiana reconhece que seus êxitos contra a guerrilha se devem em grande parte a essa ajuda, cerca de 346 milhões de euros (R$ 934 milhões) anuais desde 2001, com o chamado plano Colômbia.

A catedrática e analista Arlene Tickner considera justificável a preocupação da vizinhança. "Com a pouca documentação que existe [não se conhece o conteúdo do acordo nem os EUA divulgaram o motivo de seu interesse por essas bases], não é evidente que as operações vão se circunscrever ao território colombiano", disse.

O senador pró-Uribe Darío Angarita acredita que não há motivo para alarme; ficou convencido com a explicação que o governo deu à Comissão de Relações Exteriores na semana passada: "Todas as operações serão em território colombiano; o acordo não foi criado para agredir ninguém, muito menos a Venezuela ou o Equador", afirmou Angarita.

Esses dois países vizinhos são, segundo as autoridades colombianas, a retaguarda das Farc. Um recente relatório do Congresso americano indica também que a Venezuela se transformou em um santuário do narcotráfico.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    12h00

    0,10
    3,176
    Outras moedas
  • Bovespa

    12h07

    -0,33
    64.647,65
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host