UOL Notícias Internacional
 

08/08/2009

Regime islâmico do Irã assedia a imprensa que critica Ahmadinejad

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã (Irã)
É preciso madrugar para encontrar o jornal "Etemad-e Melli" na banca. Depois do fechamento do "Kalameh Sabz" no início de julho, o jornal de Mehdi Karrubi se transformou no favorito dos que questionam a vitória de Mahmud Ahmadinejad nas eleições de junho passado. O governo sabe disso, e, sem chegar a fechá-lo, está tentando calar sua voz, uma das poucas críticas ainda toleradas. Três de seus jornalistas foram detidos desde que começaram os protestos. O Ministério da Orientação Islâmica enviou uma advertência ao jornal, e inclusive está dificultando sua distribuição.

"Hoje não chegou; talvez mais tarde", afirma o jornaleiro, apesar da madrugada. Mas segundo o prestigioso jornalista iraniano Masoud Behnoud, que monitora de Londres a imprensa de seu país, "as autoridades estão bloqueando a distribuição de 'Etemad-e Melli'" sob diferentes pretextos. É claro que não gostam de sua cobertura da crise pós-eleitoral. Em 1º de julho já impediram que o jornal saísse da gráfica. Na primeira página levava um artigo de opinião de Karrubi, seu editor, em que tachava de "ilegítimo" o novo governo, mas no dia seguinte o jornal voltou a ser vendido.

Depois do fechamento do "Kalameh Sabz" (Palavra Verde), o diário que Mir Hossein Mousavi lançou para promover sua candidatura eleitoral, e do bloqueio da maioria dos sites reformistas, talvez Ahmadinejad não queira ser acusado de silenciar seus opositores. No entanto, Karrubi decidiu não morder a língua e sua franqueza está sendo excessiva. O Ministério da Orientação Islâmica lhe enviou na última segunda-feira uma advertência escrita na qual o acusa de publicar "informações falsas e diversos artigos que constantemente questionam o processo legal das décimas eleições presidenciais", segundo informou a agência de notícias Mehr.

O aviso foi reforçado dois dias depois, com a detenção de Mehdi Yazdani Joram, um redator da seção de Cultura, "sem ordem judicial". Joram é o terceiro jornalista do "Etemad-e Melli" privado da liberdade desde que se iniciaram os protestos pelo resultado eleitoral de 13 de junho passado. O jornal, cujo nome significa "Confiança Nacional", também é o nome do partido criado por Karrubi depois de sua derrota nas presidenciais de 2005.

Outros dois jornalistas também foram detidos esta semana, segundo a Federação Internacional de Jornalistas. São Reza Nurabajsh, redator do "Farhikhtegan", e Mir Hamid Hasanzadeh, redator da agência Isna e diretor do website Ghalamnews, que substituiu como porta-voz de Mousavi o Kalameh Sabz, que foi fechado. Com eles já são 42 os jornalistas presos no Irã, segundo a federação, o que levou a Repórteres Sem Fronteiras a qualificar esse país como "o maior cárcere para jornalistas do mundo". Além disso, a federação denunciou o fechamento da Associação de Jornalistas Iranianos na última quarta-feira à noite.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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