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11/08/2009

América do Sul em estado de alerta: crise das bases militares leva Unasul a convocar uma cúpula de emergência

El País
Paúl Mena Em Quito (Equador)
A preocupação da região devido à decisão da Colômbia de permitir o uso de sete bases militares pelos EUA disparou os alarmes na cúpula de segunda-feira (10) de presidentes da União de Nações Sul-americanas (Unasul) em Quito (Equador). O tema é tão polêmico que o grupo decidiu convocar uma nova cúpula de presidentes em Buenos Aires, mas desta vez com a presença de Álvaro Uribe, o presidente colombiano, que não veio a Quito devido às más relações entre os dois países.

Veja onde são as bases que os Estados Unidos poderiam usar na Colômbia

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A Bolívia chegou a propor uma resolução de rejeição ao acordo militar entre EUA e Colômbia, mas a iniciativa não conseguiu o consenso da maioria e se decidiu convocar uma reunião de ministros da Defesa e das Relações Exteriores do grupo em 24 de agosto em Quito, para voltarem a tratar do tema, antes do encontro em Buenos Aires. A maioria dos chefes de Estado tentou, apesar da preocupação, ter um tom conciliador com a Colômbia. Todos menos o venezuelano Hugo Chávez.

Quando o encontro estava prestes a terminar, Chávez advertiu que o uso de bases colombianas por parte dos EUA "pode ser o começo de uma tragédia para a região". Ele acrescentou que seu país se sente ameaçado pelo acordo e que a Venezuela não permitirá que tropas colombianas irrompam em seu território como ocorreu no Equador. "Há dignidade na Venezuela; não vou permitir que façam à Venezuela o que fizeram ao Equador... A Venezuela está se preparando, porque nos têm na mira. E a razão é uma... o petróleo", disse Chávez. Ele insistiu que "ventos de guerra começam a soprar" na América do Sul.

Correa concordou que o uso americano de bases militares na Colômbia representa "uma provocação para a região". O presidente equatoriano lembrou que o Equador sofreu durante muitos anos os efeitos da guerra colombiana contra a guerrilha e o narcotráfico, e afirmou que o tema das bases não significam problema de soberania de um país, mas um assunto de segurança à estabilidade regional.

Os presidentes do Brasil, Argentina e Paraguai lançaram uma mensagem mais prudente. "Não concebo a possibilidade de aumentar os conflitos na região em um momento em que tudo leva a crer que quanto mais paz tivermos mais oportunidade teremos de recuperar o tempo perdido e dar a nossos povos o que necessitam", disse Lula. "Vamos ter de entrar em acordo sobre o futuro da Unasul, porque se não há essa relação amistosa entre nós estamos criando em vez de uma instituição de integração um clube de amigos rodeados de inimigos", acrescentou o presidente brasileiro. Depois do encontro de presidentes da Argentina, está previsto organizar uma reunião com Barack Obama, para, sob a proposta de Lula, realizar uma discussão profunda sobre a relação dos EUA com a América do Sul.

Diante da ausência do presidente Uribe, a vice-ministra colombiana das Relações Exteriores, Clemencia Forero, afirmou que "não havia nem haverá bases militares estrangeiras na Colômbia" e afirmou que com os EUA "seria implementado um acesso limitado para realizar as ações coordenadas contra o narcotráfico e o terrorismo". Forero pediu que nas discussões da Unasul que se aproximam sejam incluídas "outras situações de tensão na região, como o tráfico ilícito de armas, a atividade dos grupos armados ilegais e a corrida armamentista", em clara alusão à Venezuela.

O encontro da Unasul em Quito ocorre quando existe um ambiente tenso nas fronteiras de Colômbia com Venezuela e com o Equador. Dias antes da reunião, Chávez denunciou que militares colombianos tinham entrado em território venezuelano como parte de um plano de "provocações" por parte do governo de Bogotá. O confronto se viu alimentado depois das acusações de supostos vínculos do governo de Correa com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a maior guerrilha colombiana. Um vídeo em que aparece Mono Jojoy, um dos chefes militares das Farc, e um suposto diário de Raúl Reyes, o número 2 das Farc abatido por militares colombianos em território equatoriano, falam de relações de próximos a Correa com o grupo terrorista, incluindo o suposto financiamento da campanha do partido governamental, a Aliança País.

A reação do governo de Correa incluiu uma ruptura das relações com a Colômbia em resposta à intromissão do país vizinho em território equatoriano durante o bombardeio que resultou na morte de Reyes e outros guerrilheiros. O ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, rejeitou "a intenção da Colômbia de aplicar a teoria da extraterritorialidade; esse é o direito a atacar qualquer outro país soberano em nome do combate ao terrorismo". Correa acrescentou que há "uma orquestração internacional que tenta causar dano" a seu governo, e advertiu que "se (os colombianos) voltarem a nos bombardear, haverá guerra". No que encontrou consenso o encontro da Unasul foi em sua condenação ao golpe de estado e Honduras e em sua decisão de não reconhecer "nenhuma convocação eleitoral por parte do governo de fato". Em Quito, Zelaya qualificou de mornas as medidas de Washington contra os golpistas de seu país.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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