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11/08/2009

Correa inicia segundo mandato prometendo radicalizar "revolução cidadã"

El País
Paúl Mena Em Quito (Equador)
A confusão cívica com que se desenvolveram os festejos organizados em praças, museus e centros culturais de Quito e ao longo do país por ocasião do bicentenário da independência convive com um ambiente de confronto político nacional.

A comemoração coincidiu com a tomada de posse do segundo mandato de quatro anos de Correa, com opção à reeleição. O presidente, que se ofereceu para "radicalizar" sua "revolução cidadã", chegou em 10 de agosto ao ponto mais baixo de sua popularidade. Segundo a firma de pesquisas Market, esta baixou 19 pontos entre maio e julho, alcançando 40%. Embora nas ruas se possa perceber que muitos equatorianos ainda confiam no presidente, esse número denota que fatos como o escândalo dos contratos por US$ 80 milhões que o Estado tinha com Fabricio Correa, irmão do presidente, assim como as supostas ligações do governo com a narcoguerrilha colombiana das Farc minaram a credibilidade governamental.

Correa promete "revolução cidadã"



Se em julho passado o presidente Evo Morales proferiu um discurso anti-imperialista durante a comemoração do bicentenário da Bolívia, agora no Equador o presidente Correa afirmou que o grito de independência de 1809 em Quito representa o início de um "processo inacabado". "O bicentenário nos lembra que continuamos na luta. Conseguimos a independência política, mas ainda não conseguimos a independência de estruturas tremendamente injustas, que achataram nossos povos", salientou o presidente, que oferece uma "nova" e "definitiva" independência. A Assembléia Nacional, instalada em 1º de agosto, desempenhará um papel vital na realização dos planos do Executivo. Dos 124 assembleístas, o governo possui 58 e obteve o controle de pelo menos 9 das 13 comissões legislativas, recorrendo a práticas novas como o "empréstimo" de membros do Aliança País, o partido do governo, para grupos políticos com que busca consolidar a hegemonia na assembléia, com o fim de que esses grupos consigam captar postos de incidência política no poder legislativo. Esse método gerou críticas dos que esperam que o governo seja consequente com seu discurso de desterrar velhas formas de fazer política no país.

Mas talvez o terreno em que mais se evidencia um ambiente de polarização tenha a ver com a guerra de Correa contra os meios de comunicação. As críticas do presidente ao que ele chama de "imprensa corrupta" são constantes. Correa quis situar a imprensa como inimiga da revolução cidadã. Miguel Rio ordenei deu, diretor da Equadorradio e um dos jornalistas mais respeitados do país, disse que nesse esquema de polarização o que se busca é identificar os meios como a favor ou contra o governo, mas afirmou que hoje mais que nunca é necessário um jornalismo rigoroso.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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