UOL Notícias Internacional
 

11/08/2009

Equador assume presidência da Unasul entre tensões regionais

El País
Javier Lafuente
Em Madri (Espanha)
O presidente do Equador, Rafael Correa, o mesmo que em outubro do ano passado qualificou de "erro estratégico" a criação da União de Nações Sul-americanas (Unasul), porque todas as decisões são adotadas por consenso, assumirá na segunda-feira a presidência temporária do organismo de integração regional promovido pelo Brasil no ano passado, depois da crise provocada pela incursão em território equatoriano do exército colombiano que acabou com a vida do número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes. Até agora, sob a presidência chilena, a evolução do organismo foi satisfatória, mas as relações nulas entre Equador e Colômbia provocaram a incerteza sobre seu futuro.

As dúvidas que assaltavam Correa em outubro não foram flor de um dia. Em janeiro passado, na Universidade de Havana, o presidente equatoriano insistiu que "alguns países da América Latina, da América do Sul sobretudo, não querem a integração, paralisam tudo de dentro da Unasul", em clara referência à Colômbia. Como se não bastasse, nessa mesma semana o vice-presidente colombiano, Francisco Santos, afirmou que o fato de Quito ter aceitado a presidência da Unasul poderia desembocar no fim do organismo.

A polêmica criada pela próxima utilização pelos EUA de sete bases militares colombianas marca o encontro de hoje em Quito, que coincidirá com a segunda posse de Correa como presidente, e à qual Álvaro Uribe não assistirá. [No contexto dessa polêmica, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou ontem suspender o convênio de abastecimento de combustível ou a Colômbia, informa a agência Efe.]

A diplomacia equatoriana quis salientar que uma coisa são suas más, ou nulas, relações com a Colômbia e outra a Unasul. "Não deveriam afetar nossos problemas. Isso é um tema multilateral. Estamos há um ano em reuniões e o organismo anda. Caberia ao Equador presidir a Unasul e o fazemos com espírito de confraternização", afirma em conversa telefônica de Quito Emilio Izquierdo, delegado político do governo de Correa no organismo. "É um fator de complicação, mas nem tanto. O Chile foi um ator mais moderado, que caiu bem para todo mundo, e é verdade que o Equador mantém relações tensas com Peru e Colômbia, mas Correa é o bolivariano mais lúcido. Não é que a presidência caia nas mãos de Chávez", acrescenta Fabián Calle, especialista argentino em relações internacionais.

Há quem acredite por esse motivo que, se a Unasul sair bem deste ano de mandato equatoriano, o organismo poderá se consolidar plenamente. A instituição não só conta com o apoio de todos os países que a formam (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela), como passa por ser a grande aposta diplomática do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, diante da região. Independentemente de quem ostente a presidência temporária, a secretaria geral da Unasul, que será decidida nos próximos meses, ficará instalada em Quito, em um claro gesto de apoio a Correa.

Até agora, os maiores sucessos da Unasul foram sua intervenção em setembro de 2008 na crise interna da Bolívia e a criação de três conselhos, um energético, outro de saúde e o Conselho Sul-americano de Defesa (CSD). No encontro de hoje será debatida a criação de quatro órgãos ministeriais a mais, um de desenvolvimento social, outro de cultura e educação, de infra-estruturas e de combate ao narcotráfico, a grande lacuna que tinha o CSD e que fica assim preenchida. Sua missão será discutir a luta contra o tráfico de drogas na América do Sul. Em princípio, segundo Izquierdo, há consenso entre todos os países para que os órgãos se consolidem.

É esse consenso que incomodava Correa em outubro passado, o principal inconveniente da Unasul e que provoca muitas dúvidas. Tudo tem de ser acordado pelos doze países, e por isso se duvida de sua capacidade na hora de tomar decisões importantes. "Trata-se de um regime suave, que por enquanto só trata de temas bastante leves", opina Calle. Izquierdo, porém, pede cautela: "É preciso julgar esses processos em longo prazo. Está se institucionalizando, por isso dá lugar para pensar que o processo tem sentido e solidez", enfatiza.

As relações entre Equador e Colômbia continuam soltando fumaça. No sábado o exército da Colômbia deteve 11 militares equatorianos em território colombiano. Eles foram libertados no domingo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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