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12/08/2009

"A velha guarda teme mais a democracia que os israelenses", diz Hasan Khader, líder renovador do Fatah

El País
Ana Carbajosa Em Belém (Israel)
Aos 48 anos, Hasan Khader é um dos líderes mais carismáticos da nova guarda palestina. Quase seis anos de encerramento nas prisões israelenses e mais de 20 detenções transformaram este refugiado de Balata (Nablus) em um símbolo da luta contra a ocupação e um homem cujas palavras são escutadas com atenção pela população palestina. Mas Khader é sobretudo uma das vozes mais livres e críticas do partido que governa a Cisjordânia.

Já no tempo de Arafat levantava a voz contra a corrupção de seus dirigentes e desde então não deixou de lutar por uma revolução democrática na Al Fatah. Agora espera que o 6º congresso e a injeção de sangue novo na direção do partido removam seus cimentos, explica em Belém antes da divulgação do resultado definitivo das votações para renovar a direção do partido.

Até que ponto o 6º congresso do partido representa uma verdadeira revolução do Fatah? Mahmud Abbas foi reeleito sem que houvesse sequer outras candidaturas.
Hasan Khader:
Abbas não é a mudança que realmente queremos, mas pelo menos há uma promessa de mudança no horizonte e devemos nos aferrar a essa esperança. É o momento da liderança da nova geração, da mudança.

Para onde leva essa mudança?
Khader:
Deve haver mais transparência na administração do dinheiro, mas também deve haver uma mudança de uma perspectiva moral. Nos últimos 20 anos a Fatah freou o processo democrático; os dirigentes roubaram as pessoas e as fizemos sofrer muito.

Em que medida este congresso contribuirá na hora de responder às expectativas de negociação do presidente Barack Obama para a região?
Khader:
Chegamos ao consenso de que o caminho a seguir é o das negociações com Israel, mas com condições muito claras. Agora já não se trata de negociar por negociar, como até agora, porque se continuarmos assim o conflito terminará por explodir e os israelenses sabem disso. Sabem que com sua política de assentamentos, detenções e postos de controle estão apoiando os extremistas palestinos. E não falo só do Hamas ou da Jihad Islâmica, mas da Al Qaeda.

Porém, mais que consenso, neste congresso prevaleceu o confronto, e os desencontros entre a nova e a velha guarda.
Khader:
É verdade, mas a mentalidade dos líderes palestinos tradicionais é antidemocrática. Abbas tem mais medo da democracia do que dos israelenses. Falam de democracia, mas a única coisa que lhes importa é se eternizar no poder. Por isso incluíram entre os delegados seus parentes e amigos, para que votem neles. Eles começaram nossa revolução, é verdade, mas já caducaram.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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