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13/08/2009

Atentado taleban fere gravemente fotógrafo espanhol no Afeganistão

El País
Ramón Lobo Enviado especial a Cabul
Uma guerra que mata civis afegãos, militares estrangeiros e trabalhadores humanitários também põe em risco os jornalistas que procuram informar. Desde 1992, 18 perderam a vida, transformando o Afeganistão em um dos países mais perigosos do mundo. Na noite de terça-feira, nove dias antes das eleições presidenciais e em meio a uma onda de ataques que atingem cada vez mais bairros, o fotógrafo espanhol Emilio Morenatti e o câmera indonésio Andi Jatmiko ficaram gravemente feridos na província sulina de Kandahar, uma área de grande atividade taleban, quando uma bomba explodiu à passagem do comboio da unidade do exército dos EUA na qual estavam destacados.

Morenatti, 40 anos, sofreu a amputação de um pé; Jatmiko, 44, ferimentos nas duas pernas e fraturas em duas costelas. Ambos estão fora de perigo. Sua evacuação para Dubai aconteceria em breve, segundo fontes da agência Associated Press - para a qual trabalham - consultadas por telefone.

Não foi o único acidente grave. Oito policiais afegãos foram mortos na quarta-feira em diversos ataques em zonas consideradas seguras. Cinco morreram no distrito de Paghman, na província de Cabul, quando iam desativar um explosivo. Seu veículo, sem blindagem, foi atingido por uma bomba artesanal. Outros três morreram na província de Kunduz, no norte, uma região pashtun incrustada em território tayiko e que até há poucos meses estava longe do raio de ação dos taleban. A direção desse movimento, que tem uma visão rigorosa do islamismo, pediu o boicote das eleições presidenciais do próximo dia 20. Em Cabul foram reforçadas as medidas de segurança para evitar algum atentado.

O incidente que feriu Morenatti e Jatmiko ocorreu quando os jornalistas viajavam em um veículo blindado Striker, que na teoria é resistente a minas e dispõe de um sistema de detecção de explosivos. Algo falhou, pois recebeu o impacto direto da explosão de uma bomba caseira colocada na estrada. Todos os que estavam a bordo ficaram feridos. Não há informação sobre mortos. A blindagem, reforçada depois das experiências vividas no Iraque, onde esse tipo de artefato matou muitos soldados, salvou a vida deles.

Os dois jornalistas foram transferidos para o hospital militar de Kandahar e submetidos a cirurgias. A AP reteve a notícia até esta quarta-feira de manhã, com o fim de informar primeiro as famílias. Antes de ser transferido para Dubai, Morenatti pôde falar por telefone com sua mulher, Marta Ramoneda, também fotógrafa.

Morenatti, um brilhante fotógrafo nascido em Jerez de la Frontera (Cádiz), ganhou um contrato na AP depois de seu trabalho no Oriente Médio. Há dois anos é chefe de fotografia no Paquistão. Em 2008 recebeu o prêmio Pictures of the Year na seção Jornal, concedido nos EUA. Também recebeu neste ano o Photopress, por um trabalho sobre as mulheres paquistanesas que sofreram ataques machistas com ácido. Em outubro de 2006 passou 15 horas sequestrado em Gaza por um grupo armado palestino.

O presidente da AP, Tom Curley, expressou na quarta-feira sua tristeza pelo acontecido. "Às vezes perdemos de vista os riscos que correm todos os dias os jornalistas como Emilio e Andi para informar de um dos lugares mais perigosos do mundo", declarou.

A AP, junto com a Reuters, é uma das empresas jornalísticas mais castigadas nos últimos anos. O espanhol Miguel Gil trabalhava para a agência como câmera quando morreu em uma emboscada em Serra Leoa em maio de 2000. "É o preço que pagamos por ter muitos jornalistas e fotógrafos nos lugares onde as coisas acontecem. Esse é o trabalho e vamos continuar com ele", afirmou de Nova York Santi Lyón, chefe de fotografia da Associated Press, em conversa por telefone.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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