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13/08/2009

Hondurenhos pagam pelos pratos quebrados do golpe de Estado

El País
Verónica Calderón Em Madri
O golpe de Estado que depôs o presidente Manuel Zelaya, em junho passado, e estabeleceu o governo interino de Roberto Micheletti deixou Honduras como um pária no cenário internacional. Nenhum país reconheceu seu governo. A crise política significou um duro golpe para a já frágil economia hondurenha. Por enquanto, o golpe de Estado já custou ao país 6% do PIB. Se continuarem as greves e os bloqueios promovidos pelos simpatizantes de Zelaya, a perda será de pelo menos 8%.

  • Reuters

    Simpatizantes do presidente deposto Manuel Zelaya fazem manifestação em Tegucigalpa, capital de Honduras, nesta quarta-feira

Honduras é o segundo país mais pobre da América Central e o terceiro da América Latina. Seis em cada 10 hondurenhos vivem na pobreza e deles, 4 na indigência; 20% de suas receitas provinham da ajuda externa. O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciaram em julho a suspensão de ajudas de US$ 470 milhões para o país. A União Européia congelou os US$ 74 milhões que daria a Honduras e anunciou em julho que deixaria "no mínimo possível" sua representação diplomática em Tegucigalpa, capital do país. A suspensão da ajuda obscurece ainda mais o panorama que enfrenta um país que subsiste graças a suas exportações de café e banana, principalmente; ao turismo, que caiu 70% desde o golpe de Estado, e ao envio de remessas, um setor já abalado pela recessão nos EUA.

Exatamente para evitar os efeitos da crise mundial em seu país, o presidente deposto, Manuel Zelaya, havia depositado suas esperanças no bloco bolivariano liderado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Depois de sua afiliação à Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), em outubro passado, Honduras recebeu cerca de US$ 100 milhões em ajuda do governo Chávez, que havia prometido mais US$ 30 milhões em créditos para fomentar a agricultura e a indústria. Mesmo com essa ajuda, a administração de Zelaya deixou seu país com uma dívida interna de 25% do PIB, segundo dados de dezembro de 2008. Essas decisões significavam uma tentativa de Zelaya de sanar sua imagem, que então contava com o apoio de apenas 25% da população.

Diante da posição dos países latino-americanos e da UE, que suspenderam sem piscar a ajuda a Honduras desde a chegada de Micheletti ao poder, a posição americana foi ambígua. Apesar de o presidente Barack Obama ter manifestado claramente seu apoio a Zelaya e sua administração o reconhecer como chefe de Estado de Honduras, os EUA não retiraram seu embaixador em Tegucigalpa - como fizeram os demais países da América Latina e a Espanha -, nem suspenderam a ajuda de até US$ 100 milhões programada para o país. Só retiraram cerca de US$ 16,5 milhões de ajuda militar. "Nossa política não é centrada no apoio a nenhum indivíduo em particular", explicou o Departamento de Estado dos EUA em uma carta dirigida Nesta semana ao senador republicano mais graduado na Comissão de Relações Exteriores, Richard Lugar.

A carta também reconhece que Zelaya havia incorrido em "atos provocadores" que causaram "uma polarização na sociedade" e que levaram, em última instância, à crise que o expulsou do país. O comunicado foi aplaudido pela minoria republicana no Congresso americano, que não demonstrou especial simpatia por Zelaya. O senador republicano Jim DeMint declarou que o presidente deposto havia "rompido a lei" para se transformar em um "ditador no estilo de Chávez", referindo-se à tentativa de referendo que Zelaya tentou realizar no dia em que houve o golpe. Em resposta ao apoio que o governo Obama dera ao governo de Zelaya, DeMint havia ameaçado retardar a votação para designar Arturo Valenzuela como responsável pela América Latina, um posto chave no Departamento de Estado.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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