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13/08/2009

Obama contra-ataca em defesa de sua reforma da saúde

El País
David Alandete Em Washington
Diante de uma onda de duros ataques contra seu projeto de reformar a saúde e oferecer cobertura médica a todos os americanos, o presidente dos EUA, Barack Obama, iniciou uma série de debates em cidades pequenas, no estilo dos comícios da última campanha eleitoral, e pediu o apoio da rede de 13 milhões de voluntários que facilitou sua vitória nas eleições presidenciais para desmentir as falsidades que diversos adversários dessa reforma difundiram nos últimos dias.

Os assessores de Obama veem esse esforço como
  • AP

    Debate sobre reformas na saúde se radicaliza e Obama convoca sua rede de 13 milhões de voluntários a desmentir ataques

algo necessário, já que o debate sobre a reforma da saúde se radicalizou na semana passada. Depois que as sessões do Congresso foram suspensas para as férias de verão, alguns senadores e deputados voltaram a seus estados de origem para participar de reuniões com os eleitores, organizadas semanas atrás. Nenhum deles tinha previsto a ferocidade com que alguns eleitores os aguardavam.

Os encontros com o senador democrata pela Pensilvânia Arlen Specter acabaram invariavelmente em gritos. "Nas páginas 58 e 59 da nova lei se dá ao governo livre acesso às contas bancárias de cada cidadão", disse uma eleitora na terça-feira em um ato na localidade de Lebanon. "Deus vai julgá-lo por tudo isso", gritou outro. "Que diabos é isso? Isso é socialismo!", disse na quarta-feira outro cidadão no State College. Os gritos e os argumentos incompreensíveis ou falsos foram constantes nesses debates. Nas portas desses encontros se veem grupos com cartazes que vão além do ofensivo e beiram o delito. Cartazes com a face de Obama com um bigode no estilo de Adolf Hitler sobre os dizeres: "Eu mudei", ou com o lema "Obama mente, minha avó morre". O congressista David Scott, da Geórgia, afro-americano e democrata, foi recebido com suásticas. O FBI começou uma investigação sobre isso.

O ambiente nesses encontros com os cidadãos é o mesmo que se vivia nos comícios da candidata republicana a vice-presidente, Sarah Palin, quando as bases conservadoras acusaram Obama de pró-islâmico, amigo de terroristas e socialista. A ex-governadora do Alasca insuflou o fogo dos rumores. Em uma mensagem publicada no Facebook, ela disse: "A América que conheço e quero não é aquela em que meus pais ou meu bebê com síndrome de Down terão de enfrentar o comitê da morte de Obama para que seus burocratas decidam, de acordo com seu julgamento subjetivo e seu nível de produtividade na sociedade, se merecem seguro médico". A mecha pegou fogo, e agora em todos os comícios os adversários da reforma gritam contra os supostos comitês da morte que ninguém anunciou.

Com tal rapidez foram difundidas essas mentiras que o próprio presidente quis ir pessoalmente a uma série de reuniões em pequenas localidades de New Hampshire, Colorado e Montana. Nesses locais explica suas intenções: reformar o sistema de saúde para oferecer seguro médico para todos os que não o possuem - 50 milhões de americanos, segundo os últimos números - e reduzir os custos para os que já têm. "Sempre que nos dispomos a concluir a reforma da saúde os poderes fáticos contra-atacam com tudo o que têm a seu alcance", disse o presidente no primeiro desses comícios, em Portsmouth, New Hampshire, na terça passada. "Usam sua influência. Usam seus aliados políticos para assustar e enganar os cidadãos americanos. É o que sempre fazem. Não podemos permitir que o façam novamente. Não desta vez."

A organização que Obama formou para manter ativa a imponente base de voluntários que o levou ao poder, Organizing for America, também passou à ação. Muitos desses ativistas vão aos debates públicos para expressar a necessidade de reforma de um sistema de saúde que custa US$ 2 bilhões e que deixa milhões de pessoas à própria sorte. "Uma resposta maciça demonstrará às empresas de seguros e a seus aliados no Congresso que suas táticas só tornarão nosso movimento ainda mais forte", dizia uma mensagem eletrônica de Mitch Stewart, diretor da Organizing for America. Pouco a pouco, esses voluntários vão reduzindo a tensão nas reuniões, acalmando os ânimos e contra-atacando aqueles que, segundo Obama, "tentam aterrorizar, invocando um bicho-papão fictício".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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