UOL Notícias Internacional
 

14/08/2009

Seguidores de Zelaya tomam Tegucigalpa em busca da volta do presidente

El País
Carlos Salinas
Em Manágua (Nicarágua)
"Honduras resiste, insiste e persiste. Esta resistência é um exemplo para o mundo e para os movimentos sociais", clama Hortensia Zelaya, conhecida como La Pichu, filha do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Ela encabeça o protesto em Tegucigalpa de mais de 10 mil hondurenhos que repudiam o governo de fato de Roberto Micheletti, imposto depois do golpe de Estado de 28 de junho, e que prometem continuar nas ruas da capital até que o mandatário seja restituído ao poder.
  • REUTERS/Edgard Garrido

    Partidários do presidente deposto Manuel Zelaya protestam diante da polícia em Tegucigalpa


A marcha é uma demonstração de força a favor de Zelaya, no momento em que são revelados mais casos de corrupção de seu gabinete e se debilita a imagem do presidente deposto, que viajou ontem para o Brasil em seu périplo para conseguir o apoio internacional que lhe permita voltar ao poder em Honduras.

"Têm medo de nós porque não temos medo", gritava Hortensia Zelaya diante dos milhares de simpatizantes de seu pai que se reuniram na Avenida Juan Pablo II, perto da Casa Presidencial, fortemente protegida pelo exército e a polícia. A marcha é a participação mais ativa na política da filha de Mel, como os hondurenhos chamam o presidente deposto. Uma garota de 24 anos, cantora de boleros em dupla com seu pai nas propriedades da família, estudante de jornalismo e assessora em programas governamentais para jovens durante o mandato de Zelaya.

Ao grito de "Mel urge", "Mel vem", a marcha se tornou violenta. Os manifestantes atacaram a pedradas várias lanchonetes e incendiaram um restaurante. Além disso, queimaram um ônibus. O protesto é o mais concorrido a favor de Zelaya desde 5 de julho passado, quando milhares de simpatizantes esperavam seu retorno nas proximidades do aeroporto de Toncontín, que afinal não ocorreu. Um rapaz de 19 anos foi morto nessa ocasião. Na última marcha a polícia deteve 40 manifestantes e o governo impôs novamente o toque de recolher, suspenso em 31 de julho.

A tensão aumenta nas ruas de Tegucigalpa. O dirigente das bases do Partido Liberal e da Frente Nacional contra o golpe de Estado, Dagoberto Suazo, informou que seriam realizados novos protestos nas vizinhanças da Universidade Pedagógica Nacional. O dirigente sindical Israel Salinas, por sua vez, anunciou que aumentarão "as ações de resistência" em todo o território de Honduras e que pedirão mais "atos solidários internacionais" contra o golpe.

Enquanto isso, o presidente deposto Manuel Zelaya chegou a Brasília, onde foi recebido com honras militares de chefe de Estado. O presidente deposto agradeceu o apoio do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, um dos primeiros líderes latino-americanos a repudiar o golpe e lhe oferecer seu apoio. Zelaya voltou a exigir mais pressão dos EUA contra o governo de fato e disse estar "convencido de que o presidente Obama não vai jogar seu prestígio" e exercerá essa pressão por diversas vias, manifestou ao fim de sua entrevista com Lula.

O presidente deposto avaliou o apoio que Obama lhe prestou desde o golpe de Estado e disse estar certo de que "o presidente dos EUA não tem dupla moral". Em relação a seu país, negou a possibilidade de uma negociação com o governo de Micheletti e garantiu que "o povo de Honduras não irá a eleições ilegítimas", referindo-se às previstas para 29 de novembro, data que Micheletti reiterou ontem, informa a agência Efe.

A mesma intransigência demonstrou Micheletti nesta quarta-feira. Em declarações a uma rádio de Manágua, afirmou que não aceitará uma anistia política para Zelaya. Micheletti disse que Zelaya pode voltar ao país "quando quiser", mas para se submeter à justiça "por vários delitos pendentes". "Se o senhor Zelaya voltar a Honduras, se defender nos julgamentos com todas as garantias e sair em liberdade, estará em todo o seu direito de reclamar sua restituição. Mas se vier aqui imposto por qualquer outro país, nós não vamos permitir", disse Micheletti.

O presidente de fato também criticou o papel que teve na crise de Honduras o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), o chileno José Miguel Insulza, de quem disse que "recebeu pagamentos de Hugo Chávez". A OEA prevê enviar a Tegucigalpa na próxima semana uma delegação para tentar desbloquear a crise.

A secretária de Política Internacional do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Elena Valenciano, afirmou ontem que "claramente há risco de confronto civil" em Honduras, informa a agência Europa Press.

Enquanto isso, a Interpol divulgou ordem de captura contra três funcionários do governo de Zelaya acusados pela promotoria de abuso de poder e estelionato. Trata-se da ministra das Finanças, Rebeca Santos; a diretora da Empresa Nacional de Eletricidade, Rixi Moncada, do ministro da Defesa, Aristides Mejía.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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