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14/08/2009

Uribe pressiona pela aprovação da lei que permitirá sua reeleição como presidente da Colômbia

El País
Pilar Lozano
Em Bogotá (Colômbia)
Duas frentes ocuparam nos últimos dias a atenção do presidente colombiano, Álvaro Uribe. Na frente interna, o dirigente está empenhado em levar adiante o projeto de lei do referendo que lhe abriria as portas para um terceiro mandato. Pela primeira vez ele pediu abertamente que os deputados que o apoiam se envolvam na iniciativa para que seja aprovada o quanto antes. Na frente internacional, Uribe pretende fechar neste fim de semana um acordo de cooperação militar com os EUA que levantou grande polêmica na região. Para tentar aplacar essa crise, na quinta-feira confirmou que participará da cúpula extraordinária da União de Nações Sul-americanas (Unasul) que se realizará em 28 de agosto na Argentina, para falar sobre o tema.

Uribe está dedicando grande parte de sua agenda a insuflar oxigênio no referendo que possibilitaria sua reeleição. A iniciativa legislativa, apoiada por 5 milhões de assinaturas, está bloqueada no Congresso. O referendo derrapa há meses no último trâmite: uma conciliação, já que as duas Câmaras - devido a um erro inicial de redação - aprovaram textos diferentes. Um indica que a reeleição seria em 2010; o outro, em 2014. O senador liberal Héctor Helí Rojas afirma que o governo, apesar da divisão e de inícios de rebelião na bancada, tem os votos necessários para conseguir seu objetivo. Mas acredita que o projeto terá problemas quando for submetido à aprovação do Tribunal Constitucional, devido aos erros na tramitação da iniciativa.

Enquanto se refina e implementa a estratégia para que na próxima quarta-feira ocorra a votação final do referendo da reeleição, na quinta em Washington os negociadores se sentarão à mesa para dar os últimos retoques no acordo de cooperação militar que permitirá que os EUA utilizem sete bases militares colombianas. "Se Deus quiser, neste fim de semana estará tudo encerrado", anunciou o comandante das forças militares, general Freddy Padilla. "Mais de 99% estão de acordo", acrescentou o general. A declaração foi feita na quarta-feira à tarde na base de Palanquero - uma das sete do acordo. Ali, em pleno centro do país, vários generais e o recém-empossado ministro da Defesa, Gabriel Silva, se reuniram com os membros da Comissão de Relações Internacionais do Senado.

Em Palanquero, os EUA investirão US$ 46 milhões. A base será reformada para receber os aviões da inteligência Orion e Awa que operavam na base de Manta, no Equador. Dali será coordenada a luta antinarcóticos. "Não haverá aviões de combate"; "Na tripulação sempre haverá um colombiano"; "Não haverá trânsito de tropas americanas pelo país", foram frases do comandante da força aérea, general Jorge Ballesteros. Mas a letra miúda do acordo não foi revelada e as dúvidas persistem.

Alguns parágrafos divulgados causam preocupações. "Ter exercícios conjuntos para manter a paz, a segurança, a democracia e a estabilidade abre muitas interrogações", adverte o senador liberal Juan Manuel Galán. Ele também se preocupa com expressões como "outras ameaças de caráter transnacional" colocadas na lista de objetivos dessas operações conjuntas, ao lado do combate ao terrorismo e ao narcotráfico. "Isso pode ser qualquer coisa", diz o jovem senador. Mas ele deixa claro que a ampliação da cooperação panamericana é necessária; a Colômbia sozinha não pode combater a droga, diz.

Outros temem que se tenha deixado de lado uma verdade: a luta contra os narcóticos, na qual foram investidos milhões de dólares, foi um fracasso. Nesse contexto, a decisão do presidente Uribe de participar em 28 de agosto da reunião extraordinária dos chefes de governo do sul do continente foi qualificada como "um acerto". A Colômbia não participou da cúpula de segunda-feira passada no Equador por considerar que o governo desse país a agride.

A Colômbia irá a Bariloche representada pelo chanceler Jaime Bermúdez e porá sobre a mesa três temas: o tráfico ilegal de armas, a escalada armamentista na região e o terrorismo. Em um comunicado, deixou claro que a reunião "não implica condição para o acordo entre Colômbia e EUA".

Alguns preveem que Equador e Venezuela levarão embaixo do braço a entrevista pela Internet com o comandante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Alfonso Cano, publicada na quinta-feira na revista "Cambio". Cano disse categoricamente: "Não entreguei o dinheiro a governos ou organizações de outros países". Acusações nesse sentido e de tráfico de armas, entre outras, mantêm rompidas as relações da Colômbia com esses dois vizinhos. Uribe não dá valor a essas declarações: "Não se pode transformar um criminoso em legítimo interlocutor", disse em entrevista coletiva com seu homólogo mexicano, Felipe Calderón, que apoiou a presença militar americana na Colômbia. Também se ofereceu para mediar e pôr fim à disputa que mantém em tensão a região andina.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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