UOL Notícias Internacional
 

15/08/2009

Medvedev vincula a onda de assassinatos no Cáucaso ao apoio de "fontes estrangeiras"

El País
Pilar Bonet
Em Moscou (Rússia)
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, atribuiu na sexta-feira a escalada da violência no norte do Cáucaso a uma tentativa de desestabilização com apoio internacional. Em síntese, essa foi a explicação que o líder russo deu aos jornalistas que indagaram sobre os assassinatos de defensores dos direitos humanos naquela região da Rússia, durante entrevista coletiva na companhia de Angela Merkel em Sochi. A chanceler alemã, convidada de Medvedev para sua residência oficial na costa do mar Negro, havia insistido antes que "os autores desses assassinatos horríveis devem responder" por seus crimes. "O presidente russo me garantiu que assim será", declarou Merkel.
  • AFP PHOTO / RIA NOVOSTI / KREMLIN POOL / DMITRY ASTAKHOV

    Premiê russo, Vladmir Putin (esq.), e o presidente, Dmitri Medvedev (dir.) conversam em Socchi, nesta sexta (14). Eles passaram uma noite na cidade e assistiram um jugo de futebol em um bar


A jornada de quinta para sexta-feira foi especialmente sangrenta no Cáucaso russo, sobretudo na localidade de Buinak, no Daguestão, onde 11 pessoas foram mortas a tiros (quatro policiais e sete mulheres que se encontravam em uma sauna). A este acrescentam-se dois policiais atingidos na sexta-feira em pleno dia por franco-atiradores em Makhachkala, capital do Daguestão, outros quatro policiais mortos na região de Grozni (Chechênia) e vários membros de organizações armadas, vítimas de confrontos com os representantes da ordem pública tanto no Daguestão como na Chechênia. A este balanço devem-se somar diversos feridos e a desativação de uma carga explosiva na ferrovia Rostov-Baku, perto de Makhachkala.

Sobre esse pano de fundo, os defensores dos direitos humanos arriscam suas vidas. Em 15 de julho Natalia Estemirova, representante da Memorial em Grozni, foi sequestrada e assassinada; em 11 de agosto tiveram a mesma sorte Zarema Sadulaieva e Alik Dzhabrailov, responsáveis por uma organização de reabilitação infantil, também na Chechênia.

"Toda a série de assassinatos políticos e atentados tem como finalidade desestabilizar a situação no Cáucaso", disse Medvedev, e explicou que se referia à morte dos defensores de direitos humanos e também ao atentado contra o presidente da Ingúchia, Yunus-Bek Yevkurov, que abandonou recentemente o hospital onde se recuperava do ataque sofrido em junho passado.

Segundo Medvedev, estes e outros atentados mostram que as forças insatisfeitas com a política como a praticada por Yevkurov (normalização e diálogo) "tornaram-se mais ativas e também recebem apoio de fontes estrangeiras". "A busca, acusação e punição dos assassinos é a tarefa mais importante para todos os órgãos da ordem pública", salientou o presidente, e acrescentou que isso representa um desafio também para os líderes da Chechênia. "O presidente da Chechênia deve fazer tudo o que for possível para encontrar e desmascarar esses assassinos", disse, referindo-se a Ramzan Kadirov.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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