UOL Notícias Internacional
 

15/08/2009

Obama mobiliza máquina diplomática em prol de ativista presa em Mianmar

El País
David Alandete
Em Washington (EUA)
Um senador democrata dos EUA chegou na sexta-feira a Mianmar (antiga Birmânia), com a aprovação da Casa Branca, para se reunir neste sábado com diversos representantes da junta militar que governa o país com mão de ferro desde 1988. A visita ocorre quatro dias depois que o regime birmanês prorrogou por 18 meses a detenção domiciliar da líder pró-democrata e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. A viagem marca uma virada substancial na política externa americana, depois da recente visita do ex-presidente Bill Clinton à Coreia do Norte e do giro pela África da secretária de Estado Hillary Clinton.

Diferentemente da administração anterior, Barack Obama não duvida na hora de dar luz verde para as viagens de vários emissários americanos a lugares incômodos como Mianmar, um país ao qual Washington aplica duras sanções comerciais desde 1988, intensificadas depois da explosão de protestos pacíficos contra o regime em 2007. Na época, soldados dissolveram as manifestações a tiros, ferindo centenas de monges budistas que as lideravam, e prenderam 2 mil dissidentes. O número de mortos varia entre 15, admitidos pelo regime, e os 200 mencionados pela oposição.

Na última terça-feira Aung San Suu Kyi foi condenada a mais 18 meses de prisão domiciliar por violar os termos de outra detenção que já cumpria em sua casa, uma rotina a que o regime a submete desde os anos 1990. A ampliação da pena impede a ativista de disputar as eleições de 2010. Suu Kyi ganhou eleições em 1990, as únicas livres em Mianmar em quatro décadas, mas um novo golpe de Estado anulou os resultados.

Agora o senador democrata Jim Webb, da Virgínia, um moderado e veterano da guerra do Vietnã, embarcou em uma viagem à Ásia que inclui escalas na Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã. A surpresa é a visita aos dirigentes da junta birmanesa, a primeira desse tipo em um país no qual os EUA não têm embaixador. O senador, um especialista em política asiática, criticou duramente o castigo contra Suu Kyi, mas declarou no Senado em março: "As sanções que os EUA impõem são contraproducentes quanto a nossa capacidade de ajudar nas adversidades que a população birmanesa enfrenta".

O Departamento de Estado aprovou a viagem. "Apoiamos a viagem do senador à região", disse ontem seu porta-voz. "Vamos esperar para ver o que consegue. Ele é o responsável por sua própria agenda e nós estamos de acordo que esteja lá", acrescentou.

A própria secretária de Estado voltou na sexta-feira a Washington depois de uma viagem de 11 dias por sete países da África subsaariana, na qual negociou com líderes locais para conter a ascensão do terrorismo na região, exigiu uma melhora radical nos direitos das mulheres e tentou frear a ascensão comercial da China em países produtores de petróleo como Angola ou Nigéria. "Saio da África ainda mais otimista pelo que resta por fazer", disse em Cabo Verde. "Aqui não estamos adoçando os problemas. Não fugimos deles. Estamos investindo tempo e esforços na população da África."

Durante sua visita ao continente, seu marido, Bill Clinton, esteve na Coréia do Norte a título privado, mas com o apoio de Obama, para libertar duas jornalistas americanas detidas e condenadas por entrar no país de forma ilegal. Em sua visita, reuniu-se com o ditador Kim Jong-il, que o ex-presidente George Bush incluiu no célebre "Eixo do Mal" em 2002.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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