UOL Notícias Internacional
 

17/08/2009

"Estamos voltando ao boca a boca", diz assessora da campanha de Obama na internet

El País
Ramón Muñoz
Em Madri (Espanha)
Dizem que se alguém passa muito tempo com seu bicho de estimação acaba se parecendo com ele. Com Rahaf Harfoush acontece um pouco isso. Ela foi uma das estrategistas da campanha online de Barack Obama durante a disputa presidencial. E agora não só esbanja entusiasmo pelo inquilino da Casa Branca, mas também imita sua mecânica gestual. Ouvi-la dissertar sobre as excelências da rede como mecanismo de mobilização faz lembrar os pomposos discursos do presidente norte-americano repletos de "esperança", "compromisso" e "nova ordem", que quando terminam dão vontade a ir a algum lugar e se oferecer para fazer parte do projeto, ainda que não se saiba muito bem onde e para quê.

  • EFE/Gustavo Cuevas
Harfoush e seus companheiros souberam explorar essa estratégia à perfeição. Mobilizaram milhares de voluntários e fizeram das redes sociais uma arma, batendo primeiro em Hillary Clinton e depois no candidato republicano John McCain. Obama contou com 3,2 milhões de amigos no Facebook, contra os 600 mil de sua rival, 137 mil seguidores no Twitter e 1.824 vídeos foram colocados no YouTube, contra apenas 330 de McCain. "O importante é a estratégia, não a tecnologia. É fácil criar perfis, conseguir amigos no Facebook ou manter blogs. Mas o objetivo era que as pessoas saíssem às ruas e votassem. Se todo esse esforço na rede não se houvesse traduzido em votos não teria valido nada".

Harfoush entrou na campanha graças à sua insistência. Durante um mês inteiro telefonou todos os dias para Chris Hugues, um dos criadores do Facebook, a quem Obama havia confiado a campanha nos "novos meios de comunicação". Hughes - então com insultantes 25 anos, assim como Harfoush - atendeu por fim ao telefone e ela abandonou quase tudo - namorado, apartamento e trabalho - e foi para Chicago trabalhar pelo "Yes, we can". Esta jovem de origem síria e nacionalidade canadense pegou o lema de Obama, virou-o do avesso e publicou o livro "Yes, we did" (algo como "Sim, nós fizemos") no qual conta a estratégia da campanha que agora tenta revender para o mundo dos negócios. "Nem os governos nem as empresas controlam a mensagem. Na internet, as pessoas têm agora o poder de colocar um vídeo no YouTube ou mandar uma mensagem pelo Twitter para denunciar uma repressão, como aconteceu no Irã, ou criticar um produto".

A internet continua associada ao gratuito. Mas também pode se transformar numa poderosa ferramenta de arrecadação. Harfoush explica essa dicotomia com uma impecável ética anglo-protestante. Durante a campanha, formaram-se 35 mil grupos de voluntários que conseguiram 13 milhões de endereços de e-mail de eleitores em potencial aos quais enviaram um bilhão de mensagens, convidando para 200 mil eventos. Essa mobilização conseguiu arrecadar US$ 750 milhões, mais do que o dobro de McCain, através de pequenas doações entre 20 e 50 dólares.

"Uma mãe nos disse que havia pedido US$ 100 emprestados para doar para a campanha porque queria que seu filho tivesse um futuro melhor. Não podíamos desapontá-la". Para evitar isso, os cérebros da campanha idealizaram um conceito: a hiper-segmentação. Nada de mensagens em massa, mas sim personalizar o máximo possível. Por isso, as mensagens se dividiam por local de residência, idade e nível de renda. "Tratava-se de evitar a todo custo o spam".

"As pessoas se guiam pelas opiniões do ambiente que as cerca, de um familiar, de um amigo, de um vizinho, bem mais do que pelas opiniões de um especialista ou de alguém que aparece na televisão. Na realidade, com a internet e as redes sociais, estamos voltando ao boca a boca." Durante a campanha, Obama visitou a sede do Google e disse: "Quero mudar o mundo, como o Google mudou". Curiosamente, Harfoush silencia quando perguntada sobre o papel do Google e sua tendência de se infiltrar em todos os terrenos. E alguém pode se perguntar se talvez, num futuro próximo, o Google não será o candidato ideal à presidência dos Estados Unidos.

Tradução: Eloise De Vylder

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