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22/08/2009

O justiceiro ortográfico: Publicitário lança no México movimento para corrigir erros de acentuação em anúncios

El País
Verónica Calderón
Em Madri (Espanha)
Quantas vezes você viu uma legenda publicitária em que falta um acento? Pablo Zulaica viu erros suficientes para tomar uma medida a respeito. O publicitário de 27 anos é de Vitória (norte da Espanha) e vive no México há dois. Ali começou em junho uma iniciativa popular para recuperar os acentos perdidos nos anúncios expostos em via pública. Em defesa da ortografia, para "estar de acordo com a língua", explica.

Zulaica se define orgulhosamente como um maluco por ortografia. "É como um apelo universal para melhorar o idioma", comenta por telefone. Armado de um pacote de "acentos imprimíveis", começou a corrigir as publicidades que não tinham ou estavam com acentos mal colocados. Logo outros jovens seguiram sua ideia e se transformaram em "corretores de rua". Em vários casos, com a devida autorização. Mas não quando se trata de um anúncio de uma grande companhia ou de um cartaz político. "Eles deveriam ter dado atenção especial. É sua obrigação", justifica Zulaica.

São exatamente os políticos os que mais cometem erros, tanto no México quanto na Argentina ou no Peru. "Às vezes é incrível ver que nossos governantes põem erros em seus cartazes. Isso demonstra em parte a pouca importância que dão a suas próprias palavras", explica Rodrigo Maidana, estudante argentino de 18 anos que iniciou a campanha em seu país. O jovem relata que não teve problemas na rua: "Explico do que se trata e as pessoas entendem". No Peru foi uma jovem, Lorena Flores, quem assumiu a iniciativa.

Zulaica explica que a febre da correção se estendeu a alguns lugares da Espanha e até os EUA, segundo as imagens que recebeu em seu blog. "Inclusive tem gente pondo acentos em Nova York!", afirma, divertindo-se.

O principal objetivo, no entanto, se mantém no caráter "lúdico e didático" da campanha. "Trata-se de gerar sorrisos, e não aborrecimentos", comenta Zulaica. O publicitário, filho de jornalistas, afirma que desde muito jovem se interessou por ortografia e comenta que sua campanha não tem qualquer fim político. "Orientei pessoas a fazer isso também em catalão ou em galego. Inclusive tive contato com brasileiros, que querem fazer o mesmo em português." Sobre o que faz um basco defender o castelhano, ele comenta que sua ideia persegue mais a disciplina e o aprendizado do que alguma mensagem ideológica: "Se eu trabalhasse em chinês, o teria feito em chinês", explica.

Sobre sua experiência em terras latino-americanas, Zulaica afirma que se sente "mais daqui" e que a experiência lhe serviu para ser crítico com "o paternalismo que alguns espanhóis defendem sobre nossa língua". "É muito claro que, pelo número, boa parte do castelhano pertence aos latino-americanos. Nossa língua e nossa cultura começam na Patagônia e terminam em Nova York", conclui.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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