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27/08/2009

A direita mais radical da Europa está na Hungria

El País
Anna-Maria Hollain Em Madri
O partido de extrema-direita mais ativo e ameaçador da Europa está na Hungria. Chama-se Jobbik (Movimento para uma Hungria Melhor) e tem três representantes no Parlamento Europeu. Dos 36% de húngaros que foram às urnas nas eleições europeias de junho, quase 15% decidiram lhes dar seus votos. Além de seus parlamentares, o Jobbik conta com um braço paramilitar, a Magyar Gárda (guarda húngara), fundada em 2007.

Antes de ser proibida pela justiça em julho por incitar ao ódio - fato que serviu para a Jobbik os transformar em mártires -, seus mais de 1.300 membros costumavam patrulhar os bairros de maioria cigana, assustando os moradores com seu aspecto marcial e slogans contra essa etnia. Eles vestem botas militares, calças pretas e uma insígnia, conjunto que parece inspirado no uniforme da Cruz Flechada, o partido fascista húngaro da época nazista.

Há suspeitas de que estejam por trás de 16 ataques com coquetéis molotov e armas de fogo contra a comunidade cigana registrados desde julho de 2008, que deixaram seis mortos e vários feridos, entre eles crianças e mulheres. O Jobbik baseia sua campanha para as eleições gerais de 2010 em promessas como a de tomar medidas drásticas contra o que chama de "criminalidade dos ciganos".

Essa estratégia, baseada em uma linguagem violenta, conta com o apoio de 11 a 12% dos eleitores, segundo pesquisas recentes. As faces públicas do Jobbik são Krisztina Morvai e Gábor Vona. A primeira é uma catedrática de direito que já ganhou um prêmio Mercury por seu compromisso com os doentes de Aids. O segundo, um jovem historiador. Ambos desqualificam as críticas a sua retórica anticigana e antissemita como temas de uma imprensa europeia que se alimenta de preconceitos, mas na verdade seus discursos públicos são baseados em ideias como a conspiração mundial judia e a criminalidade cigana.

Para György Dalos, historiador húngaro estabelecido em Berlim, essa direita "se encontra no nível mais baixo que a política húngara produziu desde a queda da cortina de ferro. É gente que demonstra uma ignorância primitiva, que com sua linguagem sexista e racista convence sobretudo a população mais decepcionada". "Acabaremos com o sistema de prisões que permite que os criminosos vão à academia e assistam televisão antes e depois de cometer os crimes."

Com esse lema o Jobbik ganhou popularidade nas últimas eleições europeias. É uma mensagem que não para de difundir o site da web Jobbik.com. E não só em húngaro, mas também em inglês, alemão e francês, talvez com a pretensão de estreitar laços com a extrema-direita europeia.

A luta do partido na política européia gira em torno de uma suposta discriminação e violação dos direitos da minoria húngara, de vários milhões, nos países vizinhos. Por trás dessas acusações se esconde um impulso nacionalista cujo mantra fundamental é a suposta injustiça do Tratado de Trianon, que restabeleceu as fronteiras da Hungria depois da Primeira Guerra Mundial e que deu origem a uma diáspora nos chamados "territórios perdidos".

Somada aos velhos ódios, a pior crise econômica das últimas duas décadas na Hungria, com uma queda do PIB esperada de 6,7% para 2009, deixou claras as tensões raciais latentes. A integração social dos ciganos, que representam entre 6 e 7% da população de 10 milhões, é uma tarefa pendente da classe política húngara.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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