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29/08/2009

"É preciso vigiar o uso das bases colombianas", diz Javier Ponce, ministro da Defesa do Equador

El País
Javier Lafuente Em Madri
Javier Ponce (nascido em Quito em 1948), ministro da Defesa do Equador e presidente temporário do Conselho Sul-americano de Defesa (CSD), órgão da Unasul, afirma em conversa por telefone de Quito que o uso de sete bases colombianas pelos Estados Unidos terá consequências para a região.
  • José Jácome/EFE

    Javier Ponce também é presidente temporário do Conselho Sul-americano de Defesa



El País: Por que se gasta mais em armamentos, se não há conflitos bélicos?

Javier Ponce:
A inexistência de conflitos bélicos não significa que os países não devam fortalecer sua capacidade de defesa.

El País: Quais são as principais ameaças na América do Sul?

Ponce:
Não se deve perder de vista o interesse de controle regional que os EUA têm. A intenção de utilizar bases militares colombianas que superam as necessidades reais do conflito interno colombiano se deve a pretensões de controle regional.

El País: Que consequências trará o uso das bases?

Ponce:
Como disse a presidente argentina [Cristina Fernández Kirchner], essa presença cria inquietação, desassossego. Pode gerar uma corrida armamentista, porque há países que poderão ser afetados. Não se pode entender a presença se não for por uma vigilância e um controle regionais. É necessário que a Unasul exija um sistema de vigilância, de controle, de monitoração da ação dessas bases, e, por outro lado, que a Colômbia renuncie à tese da extraterritorialidade. São duas condições básicas para aceitar a presença.

El País: Em que países poderia haver uma corrida armamentista?

Ponce:
Estou pensando na Venezuela, que seria diretamente afetada pela presença norte-americana na base de Palanquero.

El País: As bases podem servir como desculpa ou justificativa para o Brasil e a Venezuela aumentarem seus gastos militares?

Ponce:
Não é nem desculpa nem justificativa, é um fato real.

El País: O presidente colombiano condicionou sua participação no encontro da Unasul a que, além das bases, se falasse do tráfico ilegal de armas, da corrida armamentista e do terrorismo e do narcotráfico. Aceitam essas condições?

Ponce:
O Equador está de acordo em tratar dos problemas reivindicados pela Colômbia. Parece-nos fundamental falar da relação com as forças ilegais, concretamente com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), do problema do tráfico de armas e do narcotráfico. Se quisermos uma região de paz é preciso ter transparência e compartilhar informação.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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