UOL Notícias Internacional
 

30/08/2009

Rede Independent Collectors se inspira no Facebook para reunir colecionadores de arte

El País
Isabel Lafont
Em Madri (Espanha)
É um sinal dos tempos. Na teia de aranha cósmica da Internet, a teoria de que entre um indivíduo qualquer e, digamos, Barack Obama, só existem seis passos de separação, certamente deveria ser reformulada. Já são menos de seis. Senão, que perguntem aos 250 milhões de usuários do Facebook, a rede social mais popular do momento.

Daí para as comunidades especializadas faltava só um passo, pensou Christian Schwarm, dono de uma agência de marketing em Berlim e apaixonado por arte: por que não criar uma rede exclusivamente de colecionadores? Schwarm sentiu falta disso quando começou sua coleção, cinco anos atrás. "Tenho 37 anos e a maioria dos colecionadores está entre os 50 e 60. O que eu queria era conhecer gente da minha geração que tivesse as mesmas inquietações na hora de iniciar uma coleção. Investiguei e não havia nenhum site na web que oferecesse isso."

Assim, apesar dos que tentaram desmoralizar Schwarm e seus quatro sócios - os advertiam de que não daria certo por causa do proverbial sigilo de que muitos colecionadores se cercam -, em junho de 2008 nasceu o site www.independent-collectors.com. Os agourentos, diante dos últimos dados disponíveis, não enxergavam muito longe. Essa rede conta hoje com 1.932 cibercolecionadores de 71 países. A Alemanha é o predominante, com 554 membros, seguida de EUA (357), Reino Unido (135), Itália (128) e Países Baixos (122). A Espanha já contribui com 51.

Assim como no Facebook, os membros definem o grau de confidencialidade de seu perfil, de forma que só os visitantes que eles escolhem podem ter acesso. Também podem expor suas obras e organizar suas próprias exposições. "Você pode fazer uma seleção de suas obras e mandar uma senha só para a pessoa que você quer que a veja", explica Tommi Brem, um dos fundadores da comunidade. "Não só é uma ferramenta de contato social, mas muitos membros a estão utilizando para catalogar suas coleções", acrescenta.

Laura E. Hernández, colecionadora de Girona, na Espanha, é um membro recente da rede: "Ela me permitiu comparar minha experiência com a de outros colecionadores, encontrar respostas para as perguntas que todos nos fazemos: que obras colecionar, de que artistas, o valor de sua coleção, para que e por que colecionar. Entro uma vez por semana no site, procuro outros colecionadores que se interessem pela arte cubana contemporânea, por exemplo, sigo a pista dos pintores espanhóis contemporâneos de que gosto através de outras coleções..."

Brem quer deixar claro que a Independent Collectors é só para colecionadores. Por isso os aspirantes devem aceitar um código ético que os compromete a não usar essa rede para promover seus artistas - se forem galeristas - ou suas próprias obras - se forem artistas. Para a colecionadora Susana Escribano, a principal vantagem é a informação que obtém de outros membros: "Tento descobrir novos artistas, quase todos jovens e com grande potencial, nos quais outros membros e colecionadores já tenham apostado", afirma.

Sofía Barroso, presidente da Around Art, empresa que presta serviços para colecionadores e museus, aplaude a iniciativa como "uma nova forma de viver o ato de colecionar". De certo modo, ela diz, é uma volta ao tipo de relações mais pessoais que se estabeleciam entre os colecionadores nas décadas de 1970 e 80. "A partir dos 90 os galeristas se profissionalizaram e o contato com o artista e com outros colecionadores se tornou mais difícil." Barroso acredita que esse tipo de ferramenta será um sucesso, sobretudo entre os colecionadores mais jovens, "os que têm entre 30 e 40 anos, que são os usuários do Facebook".

A galerista Nerea Fernández aponta, como sugestão, que essas redes se abram também para outro tipo de profissionais da arte: "Por exemplo, um tributarista especializado em arte ou um especialista na conservação de determinado tipo de papel. Tudo o que possa ajudar, porque quando se começa a colecionar não se tem ideia de nada."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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