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01/09/2009

Merkel se defende das críticas depois de revés eleitoral

El País
Juan Gómez
Em Berlim (Alemanha)
A chanceler alemã democrata-cristã continua favorita para as eleições gerais de 27 de setembro. Em relação ao sucesso do novo partido A Esquerda, que aumentou espetacularmente seu apoio em Sarre e se consolidou como segunda força política na Turíngia e Saxônia, Merkel anunciou que dará maior ênfase à justiça social.
  • Thomas Peter/Reuters

A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, se defendeu na segunda-feira das críticas a sua campanha eleitoral depois do sério revés que sofreu nas eleições realizadas no domingo em três estados da federação. Em uma entrevista coletiva em Berlim, Merkel insistiu que a União Democrata Cristã (CDU) manterá sua estratégia para as eleições gerais de 27 de setembro. No domingo, os democrata-cristãos perderam respectivamente 13 e 12 pontos nas eleições regionais de Sarre e Turíngia. Nos dois estados os democrata-cristãos governavam com maioria absoluta. Agora poderão perder os dois governos.

Depois de uma reunião com outros dirigentes do partido em Berlim, Merkel afirmou ver "claramente que não há por que mudar de estratégia". A CDU só conseguiu manter seus resultados de 2004 no Estado federado da Saxônia, onde é provável que compactue com os liberais do FDP para formar o governo. A CDU aspira a uma coalizão semelhante em Berlim para expulsar de seu governo o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) nas eleições gerais do dia 27.

Na manhã de segunda-feira alguns barões regionais democrata-cristãos tinham criticado a "contenção" de Merkel na campanha. Horst Seehofer, primeiro-ministro da Baviera e chefe do partido irmão CSU nessa região, pediu que Merkel apresente um "perfil claro dos conteúdos" democrata-cristãos. O primeiro-ministro de Hesse, Roland Koch, afirmou que o resultado em Sarre e Turíngia foi "o toque de despertar" para a campanha de seu partido.

As críticas internas parecem resvalar na "chanceler de teflon", como a chamou o jornal "Süddeutsche Zeitung", assim como resvalam as críticas dos partidos rivais. Na mesma linha de contenção que manteve durante toda a campanha, Merkel afirmou: "Não pensarei em trincheiras políticas nem serei mais agressiva, mas darei prioridade aos argumentos". Em relação ao sucesso do novo partido A Esquerda, que aumentou espetacularmente seu apoio em Sarre e se consolidou como segunda força política na Turíngia e Saxônia, Merkel anunciou que dará maior ênfase à justiça social.

A chanceler participou da entrevista coletiva escoltada pelos candidatos democrata-cristãos das eleições de domingo. O saxão Stanislaw Tillich era a única face alegre do grupo. A principal mensagem de Merkel na campanha vem a ser que quem quiser conservá-la no governo deve votar na CDU nas eleições do final de setembro. No entanto, talvez conscientes de que Merkel é o grande trunfo eleitoral do partido, as vozes críticas ficaram por enquanto caladas.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores e candidato social-democrata, Frank-Walter Steinmeier (SPD), fala dos "ventos favoráveis" que percebe para seu partido. Em todo caso, o êxito social-democrata de domingo foi ter contido sua queda livre. Pois se os eleitores "rejeitam a coalizão entre FDP e CDU", como afirma Steinmeier, Franz Müntefering, que preside seu partido, deu na segunda-feira nas entrelinhas uma alternativa para Berlim: uma coalizão semáforo, entre verdes, social-democratas e liberais (cuja cor eleitoral é o amarelo), que, inopinadamente, levaria Steinmeier à chancelaria. Ninguém quer falar do cenário mais provável se a CDU não alcançar uma maioria com os liberais nas eleições gerais. Não seria outro que uma segunda parte da grande coalizão entre democrata-cristãos e social-democratas que hoje governa. Muitos acreditam que esse seria afinal o resultado que Merkel preferiria secretamente e o único a que aspiram os social-democratas.

As pesquisas dão uma enorme vantagem à CDU de Merkel para as eleições do dia 27. Esta se baseia principalmente na popularidade da chanceler. No entanto, as mesmas pesquisas indicam que os democrata-cristãos já mobilizaram quase todos os seus eleitores potenciais, enquanto a porcentagem de indecisos se aproxima de 25%. Os partidos de esquerda teriam, segundo os especialistas, as melhores perspectivas para pescar nessas águas.

Resta ver agora o desenlace das negociações do governo na Turíngia e Sarre, e como influem nas quatro semanas que restam de campanha. Na Turíngia, um dos cinco novos estados que fizeram parte da República Democrática Alemã, os social-democratas afirmaram que não apoiariam o candidato da Esquerda, Bodo Ramelow. O chefe social-democrata no Sarre, Heiko Maas, já tinha anunciado que aspira a formar um governo tripartite com a Esquerda e os Verdes. Se conseguir o acordo, Maas presidirá o primeiro governo ocidental com participação da Esquerda.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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