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02/09/2009

EUA estudam alternativas para sistema de defesa que seria instalado na Polônia

El País
Cristina Galindo
Em Madri (Espanha)
Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, os poloneses ainda receiam as intenções dos russos. E uma das peças chaves para a estratégia de segurança criada por Varsóvia, o projeto para instalar em seu território parte do sistema de defesa antimísseis dos EUA, está no ar. Depois de anos de estreita cooperação - sobretudo em termos de segurança - com Washington, Varsóvia teme que a nova administração de Barack Obama lhe dê as costas e abandone seus planos de levar à Polônia o escudo antimísseis, elemento essencial para fortificar a fronteira oriental do país ex-comunista.

Na memória coletiva polonesa sobrevive a recordação de como a União Soviética cooperou com a Alemanha (pacto germano-soviético) para desmembrar o país, ao invadir o leste do território em 17 de setembro de 1939. E ainda continuam mais vivas as quatro décadas de ditadura comunista sob o controle de Moscou. Não é de estranhar que Varsóvia, diante da indignação crescente do Kremlin, tenha se apressado a entrar para a Otan, aceitado com gosto o convite do ex-presidente americano George W. Bush para abrigar dez mísseis interceptadores de seu sistema de defesa e se transformado em grande defensor da independência das antigas repúblicas soviéticas.

Mas Obama, que mantém uma relação melhor com a Rússia que seu antecessor, estuda uma possível alternativa para o escudo, segundo informação do jornal "The New York Times", uma mudança de planos que sem dúvida agradaria a Moscou, mas prejudicaria não só a Polônia, mas também a República Checa, onde está prevista a instalação de um radar.

Em Varsóvia, os especialistas esperam que se afinal o projeto naufragar pelo menos se possam manter algumas das contrapartidas prometidas por Bush na época, como a de modernizar o exército polonês. As exigências se concentram em renovar suas defesas antiaéreas, que datam da época comunista, com um sistema de nova geração.

Não será fácil. Com a mudança na Casa Branca, as relações da Polônia com os EUA estão em um dos níveis mais baixos desde 1989, segundo especialistas. "É importante ter uma boa relação", afirma Jacek Kucharczyk, do Instituto de Assuntos Públicos de Varsóvia. "A Polônia deveria buscar outras áreas de cooperação com os EUA; pusemos todos os ovos na mesma cesta [o escudo] e agora se quebraram."

Seja como for, o escudo, embora fortemente promovido pelo governo, é bastante impopular entre os poloneses - segundo a última pesquisa, 53% o rejeitam -, por temerem que enfurecer os russos com esse projeto cause mais dano do que poderia evitar.

Os poloneses ainda desconfiam dos russos: "60% dos cidadãos consideram que a Rússia está tentando recuperar a influência em sua antiga esfera de dominação", explica Kucharczyk. No entanto, 73% dizem se sentir seguros e que a independência do país não está em risco.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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