UOL Notícias Internacional
 

05/09/2009

A campanha eleitoral em Portugal terá uma enxurrada de debates

El País
Francesc Relea
Em Lisboa (Portugal)
Uma série de debates na televisão, de dez em dez dias, entre os cinco principais candidatos colocou Portugal em plena campanha eleitoral para as legislativas do próximo dia 27, apesar de oficialmente faltarem oito dias para o tiro de largada da guerra propagandística. Frente a frente, em turnos de dois, os líderes e os candidatos dos cinco partidos com representação parlamentar (três de esquerda e dois conservadores) se veem as caras nem sempre amistosas toda noite no horário nobre. Em alguns casos a política deslocará o futebol, fato inédito.
  • Divulgação/www.socrates2009.pt

    O premiê português e candidato José Sócrates (dir.) participa de entrevista no canal RTP1


Abriram fogo na quarta-feira passada o primeiro-ministro e candidato do Partido Socialista (PS), José Sócrates, e o candidato do Centro Democrático Social-Partido Popular (PS), de direita, Paulo Portas. Não foi um debate de luvas brancas, e em mais de uma ocasião adquiriu o tom de uma gaiola de grilos. Os ânimos políticos estão aquecidos a esta altura, e os candidatos sabem que acabou a época da maioria absoluta com que o PS governou nos últimos quatro anos e meio. A previsão é que o resultado das urnas seja tremendamente apertado. Portanto, é preciso tentar conquistar voto a voto, e para isso não se poupam esforços, mais ou menos legítimos.

Nessa "batalha pré-eleitoral", uma decisão empresarial se transformou inesperadamente no tema que chama a atenção dos políticos e da mídia. A notícia ocorreu quando a cadeia de televisão TVI, cujo acionista majoritário é o grupo Prisa [que publica "El País"], comunicou a mudança de formato do telejornal das sextas-feiras para homogeneizá-lo com os informativos do resto da semana. A decisão implicava a saída de Manuela Moura Guedes, como diretora do Jornal Nacional de Sexta. Vários diretores da área de noticiários da TVI se demitiram em solidariedade com a jornalista. Acontece que o Jornal de Sexta se caracterizou por sua crítica feroz e permanente ao governo socialista e, especialmente, à figura do primeiro-ministro, que chegou a qualificar esse telejornal de jornalismo travestido.

As reações de políticos, candidatos e comentaristas vieram em cadeia, e em questão de horas não só a TVI e o grupo Prisa, como também "a Espanha" e "os espanhóis", se transformaram em protagonistas involuntários da campanha eleitoral portuguesa e do fogo cruzado entre os candidatos. A utilização eleitoreira de um tema tão recorrente quanto a relação com a Espanha deslocou momentaneamente os grandes temas de fundo da campanha, que inevitavelmente giram em torno da crise econômica e das iniciativas para sair dela.

Os programas de todos os partidos enfatizam a luta contra o desemprego, que, segundo os últimos estudos, afeta 9,3% dos portugueses, ou 500 mil pessoas. As propostas são outra história. O cavalo de batalha é a política de obras públicas, assunto que divide os dois grandes partidos, o PS e o conservador Partido Social Democrata (PSD), líder da oposição. Os socialistas defendem a construção da rede ferroviária de alta velocidade ligando Portugal à Europa, concretamente com as linhas Porto-Vigo e Lisboa-Madri para 2013, e Lisboa-Porto em 2015. Também propõem uma terceira ponte sobre o rio Tejo em Lisboa, um novo aeroporto na capital e continuar o plano nacional de rodovias para modernizar o país e criar empregos. O PS propõe o contrário - suspender o trem de alta velocidade e revisar as concessões de estradas e o calendário para o novo aeroporto - por considerar que nas atuais circunstâncias é um esbanjamento.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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