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05/09/2009

Argentina entra em campo contra Brasil em busca de uma identidade

El País
Cayetano Ros
Em Valência (Espanha)
Tratando-se do rival por excelência, o Brasil, e de uma classificação na Copa do Mundo, a Argentina optou pelo visceral. O treinador Diego Maradona fala em entrar "em combate". O atacante Tévez propõe comer os brasileiros "dentro de campo". E Aguero arremata: "É preciso ganhar com ovos". Sintoma de que a Argentina chega ao encontro em estado de máxima necessidade, mas também sintoma de "confusão, falta de identidade", segundo analisa Ángel Cappa, técnico do Huracán. "Com a qualidade que têm estes jogadores, não deveriam recorrer à garra, mas isso ocorre", lamenta o veterano treinador argentino.
  • REUTERS/Enrique Marcarian

O jogador mais identificável de todos os tempos, Maradona, 48 anos, busca sua identidade como treinador. A Argentina foi indecifrável nos dez meses sob as ordens de Diego. Algumas vezes se aninhou nos braços de Riquelme, o goleador argentino desta fase classificatória, com quatro gols, empatado com Aguero. Mas Riquelme se aborreceu com o 10 e este disse que a essência da "albiceleste" (azul e branca) era formada por "Mascherano e mais dez". Mais tarde foram "Mascherano e Messi". E finalmente "Mascherano, Messi e Jonás Gutiérrez (lesionado nesta ocasião)". Contra a Colômbia, Maradona optou por três atacantes, os três pequenos: Messi, Tévez e Aguero. Claro que agora prescindirá de um deles, concretamente de seu genro, em benefício da maior agressividade de Tévez, que passou a semana pintando-se com pinturas de guerra. Entre tantos vaivéns desde o final de outubro, Maradona somou quatro vitórias, quatro derrotas e dois empates. Nada de excepcional.

Mas qual é a proposta de Maradona? "Está buscando uma equipe. Não está claro o que pretende. Está indeciso. Acaba de começar, é jovem. O estilo de Maradona é o que fazia como jogador, não vai se afastar disso, mas o complica ter de competir e isso pode levá-lo a escolher um jogador que corre, em vez do que joga", explica Cappa.

E o que mais corre é Mascherano, o meio-campo defensivo do Liverpool, transformado em indiscutível pelo vazio de um 5 de hierarquia desde a retirada de Redondo. Gago se trancou no Madri e Banega apenas balbucia no Valencia. À frente de Mascherano jogará Verón, 34 anos, que é o capitão depois de ressuscitar o Estudiantes de La Plata, campeão da última Copa Libertadores depois de vencer o Cruzeiro brasileiro.

A caminho da Copa da África do Sul, Messi só marcou dois gols, cinco a menos que o goleador do Brasil, Luis Fabiano, e seis a menos que o líder dessa classificação, o boliviano Joaquín Botero. "Não encontrou seu lugar", aponta Cappa. "No Barça tem um funcionamento definido há muitos anos, na seleção não", acrescenta. Mas na noite de sábado deverá ser determinante. Foi o que pediu Maradona. "Lío (Messi) tem de se tornar homem de uma vez. Não pode ser mais o garoto, a promessa", adverte Diego.

E o atacante do Barça levou isso tão a sério que adiou seus compromissos comerciais e, em uma partida de treinamento, marcou cinco dos sete gols da Argentina. A Pulga joga em casa, já tem 22 anos e há quatro estreou na seleção contra a Hungria. Tanto ele como Tévez já sabem como atuar. "É preciso ter muita mobilidade para subir. Os defensores deles são grandões", sugere Tévez. Na espera está Palermo, a última surpresa na lista de Maradona. "El Loco" volta à seleção aos 35 anos, dez depois de sua última aparição, na Copa América de 1999, onde errou três pênaltis em uma mesma partida contra a Colômbia. Sua presença, segundo Cappa, se explica caso a equipe precise com urgência de um cabeceador para o último tempo. Higuaín continua sem ser convocado por Deus.

Palermo ficou paralisado quando recebeu a ligação de Maradona. O atacante Eduardo Salvio, de 19 anos, ainda lembra da impressão: "Cada vez que estava ao meu lado na concentração ou mesmo quando veio ao meu quarto me contar, continuava me impactando". Como influi em um vestiário ter um mito como treinador? "A primeira impressão é favorável", responde Cappa, "a segunda também é favorável, mas na terceira o jogador quer um treinador, e não um mito."

O treinador brasileiro Carlos Dunga, velho rival de Maradona na Copa da Itália em 90, confia no conjunto que ganhou a Copa das Confederações com uma novidade: Adriano, que costuma marcar contra a Argentina e que se recuperou no Flamengo. Seguindo o manual de Dunga, o Brasil tentará aproveitar as jogadas estratégicas e a velocidade no contra-ataque de Robinho, Kaká e Luis Fabiano. "Vão nos bater, como sempre", resigna-se Robinho, enquanto o lateral Maicon teme uma emboscada devido às dimensões reduzidas do campo. A partida será jogada em Rosário e não em Buenos Aires porque a população do interior é mais efusiva que a da capital. "É um campo parecido com o do Boca, onde se nota mais a pressão da torcida", explica Cappa. As mensagens de Maradona giram nesse círculo do emocional: "Quem passar ao lado de um com camisa amarela vai ter de correr".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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