UOL Notícias Internacional
 

10/09/2009

Milionários sob a asa dos Kirchner na Argentina

El País
Alejandro Rebossio
Em Buenos Aires
Governos de todo o mundo promoveram empresários amigos. Desde o de George W. Bush até alguns europeus, e desde o de Hugo Chávez com seus "boliburgueses" até o dos Kirchner com os chamados empresários "K". Na Argentina da década passada, com o governo de Carlos Menem e suas privatizações, consolidaram-se empresários argentinos, assim como grupos espanhóis, italianos e franceses. Nestes últimos seis anos, com os governos dos Kirchner e as contratações públicas, cresceu o que eles chamaram de "burguesia nacional".
  • AFP

"Há empresários pequenos ou gente que não era empresária, como o ex-motorista de Néstor Kirchner, Rudy Ulloa Ígor, que a partir de relações com o ex-presidente passaram à altura de grandes empresários", relata o deputado Fernández Sánchez, da Coalizão Cívica (CC, integrante do Acordo Cívico e Social, a segunda força política, atrás do peronismo). "Há outras empresas médias, como a Electroingeniería, que passou a ser a construtora mais importante de infraestrutura energética da Argentina e comprou a Radio del Plata e a Transener (a maior transportadora elétrica)", diz o legislador da CC, força que denunciou na Justiça cinco empresários "K" por suposta associação ilícita com Kirchner e sua sucessora, Cristina Fernández de Kirchner. O governo argentino não respondeu às perguntas do "El País" a respeito.

Os cinco denunciados são Ulloa, Lázaro Báez, Cristóbal López, Gerardo Ferreyra (Electroingeniería) e Juan Carlos Relats. Segundo a denúncia de Elisa Carrió e outros 11 dirigentes da CC, Ulloa começou como estagiário do escritório de advogados de Kirchner, foi arrecadador da campanha eleitoral presidencial em 2003 e agora possui meios de comunicação em Santa Cruz que recebem um "importante" volume de publicidade governamental. Em uma entrevista ao jornal "Clarín", Ulloa esclareceu que não é "milionário".

Báez, de acordo com a CC, passou de estagiário do antes estatal Banco de Santa Cruz a subgerente geral nos anos 1990, quando Kirchner, então governador da província, o privatizou. O banco foi vendido sem sua dívida de US$ 170 milhões, que recaiu na província de Santa Cruz, ao empresário Enrique Eskenazi, que no ano passado comprou da Repsol 15% da YPF. Em 2003, Báez criou a Austral Construcciones, que conta, segundo a oposição, com outras cinco construtoras e foi um dos grupos mais beneficiados pela obra pública do governo Kirchner (2003-2007). Báez também teve acesso a concessões de campos de petróleo. Além disso, associou-se a Kirchner para construir apartamentos em Río Gallegos. "El País" telefonou para o escritório da Austral, mas uma telefonista respondeu que não sabia quem era Báez.

López havia começado a ser "milionário" antes de se encontrar com Kirchner, segundo seu porta-voz. Mas em seu governo conseguiu áreas de petróleo, comprou da Cirsa 50% do cassino de Buenos Aires e conseguiu que o Estado lhe estendesse em 2007 a concessão das máquinas automáticas do hipódromo portenho até 2032. Assim como Báez, López é acusado de comprar da província de Santa Cruz terras por baixos preços para depois revendê-las a valor de mercado.

Ferreyra e Relats foram denunciados por cartelização (combinar preços, evitando a concorrência) da obra pública. Ambos também foram acusados de se beneficiar da prorrogação de concessões de infraestruturas, apesar de descumprimentos contratuais. À diferença de outros empresários "K", Ferreyra pode dizer que a Electroingeniería, com mais de 20 anos segundo destacam seus próximos - já figurava em 2003 no 484º lugar das empresas argentinas, segundo a revista "Mercado", e em 2008 caiu para 528º.

Uma das concessionárias de rodovias de Relats é credora dos Kirchner e outra empresa sua lhes aluga desde 2007 um hotel na cidade de El Calafate, em Santa Cruz (vizinha da geleira Perito Moreno). Um porta-voz alegou que Relats ganhou mais licitações de obras com outros governos e que também está há 40 anos investindo nesse setor, em terras, petróleo e hotéis.

Outros empresários não denunciados pela CC às vezes são qualificados de "K" pela imprensa argentina, por seus negócios em energia, aeroportos, construção, vias navegáveis e transporte público. Na denúncia da CC Eskenazi é mencionado, mas não acusado, porque seu Banco de Santa Cruz emprestou 1,5 milhão aos Kirchner. Seu porta-voz rejeita que seja comparado com Ulloa ou Báez. Eskenazi comprou em 1980 a antiga e conhecida construtora Petersen. Em 2003 contava com dois bancos provinciais (situados em 36º e 39º lugares no ranking por ativos do Banco Central argentino) e agora tem mais dois. Mas seu grande salto foi entrar na YPF, o segundo grupo argentino. "Para isso sua relação com os Kirchner foi fundamental", observa o deputado Sánchez. "Também nos chamaram de menemistas" (quando Menem governava), responde o porta-voz de Eskenazi.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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