UOL Notícias Internacional
 

12/09/2009

Khamenei critica oposição iraniana e ameaça fechar diálogo internacional sobre questão nuclear

El País
Ángeles Espinosa
Em Teerã (Irã)
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, advertiu na sexta-feira a oposição de que responderá com dureza e determinação aos que se opuserem ao sistema islâmico, sejam quais forem sua posição e seu passado. Suas palavras foram precedidas esta semana pela detenção de três importantes figuras reformistas, entre elas um ex-embaixador iraniano na Espanha. Khamenei também reiterou que o Irã não vai ceder em seus "direitos nucleares", o que parece fechar a porta para as conversações que a comunidade internacional tenta retomar com Teerã sobre seu programa atômico.

Irã está próximo da bomba atômica, concluem os EUA

As agências de inteligência americanas concluíram nos últimos meses que o Irã criou combustível nuclear suficiente para um esforço rápido, porém arriscado, em busca de uma arma nuclear. Mas novos relatórios da inteligência entregues à Casa Branca dizem que o país parou deliberadamente pouco antes dos últimos passos críticos para produção de uma bomba

"Quem se opuser ao sistema, a seus fundamentos, levantar-se e brandir uma espada contra ele, receberá uma dura resposta", declarou Khamenei durante o sermão da pregação de sexta-feira na Universidade de Teerã. Quando se completam três meses da polêmica reeleição de Mahmoud Ahmadinejad para a presidência do país, o "líder supremo" do país deixou claro que o limite de tolerância do regime é o estreito âmbito da república islâmica. "As diferenças de opinião não devem levar ao conflito", salientou.

A onda de protestos pelo resultado das eleições provocou uma forte repressão e a maior crise institucional desde a instauração do regime religioso em 1979. E sua repercussão ainda não terminou. Enquanto as autoridades admitem a morte de 36 pessoas nos distúrbios, a oposição duplica esse número. Pelo menos outras 4 mil pessoas foram detidas, das quais duas centenas permanecem na prisão, incluindo 40 jornalistas. Um deles, Maziar Bahari, foi finalista do Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia, esta semana.

"Desde a revolução, sempre houve diversos pontos de vista, e isso é útil para dirigir os assuntos do país", afirmou Khamenei, segundo a tradução da rede estatal PressTV. Mas ele distinguiu entre diferenças "de princípios e valores" e aquelas que são "por interesse", e lembrou que o fundador da república islâmica, o aiatolá Ruhola Khomeini, as havia tratado de forma diferente sem levar em conta o "passado revolucionário e religioso" dos envolvidos, coisa que os analistas interpretam como uma advertência de que ninguém está a salvo. Essa parece ser a mensagem enviada esta semana.

Na terça-feira vários websites reformistas informaram sobre a detenção de Ali Reza Beheshti, um respeitado intelectual que trabalhava com o líder de oposição Mir Hossein Mousavi, e de Morteza Alviri, colaborador do clérigo reformista Mehdi Karrubi, ex-embaixador do Irã na Espanha entre 2003 e 2006 e ex-prefeito de Teerã. Nesse mesmo dia as autoridades fecharam os escritórios de Karrubi em Teerã e revistaram a sede do comitê de apoio às vítimas da repressão, que era dirigido por Beheshti. Na sexta-feira, o site de Karrubi, Etemad-e-Melli, anunciou que vários agentes tiraram de sua residência na noite anterior Mohammad Moghaddam, outro conselheiro de Mousavi.

O site também mostrava uma carta de Karrubi ao chefe do poder judiciário na qual denuncia que os Guardiães da Revolução, os Pasdaran, deram ordem ao Ministério da Saúde para não divulgar informações sobre os feridos na violência pós-eleitoral.

Por outro lado, Khamenei também declarou que seu país vai permanecer firme na defesa de seus direitos nucleares. "Devemos defender nossos direitos. Se cedermos neles, sejam nucleares ou de outro tipo, significaria o declínio", declarou. Ele não mencionou as propostas que Teerã apresentou na última quarta-feira ao G-6 (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) e que na sexta-feira foram consideradas insuficientes pelas grandes potências. Depois de uma entrevista telefônica que mantiveram seus ministros das Relações Exteriores, Cristina Gallach, a porta-voz de Javier Solana (o negociador em nome do G-6), anunciou que haviam "acordado pedir aos iranianos uma reunião o mais cedo possível", informou a agência France Presse.

Os assistentes à pregação, entre os quais se encontravam Ahmadinejad, vários ministros e outras autoridades graduadas, apoiaram as palavras do líder com os habituais gritos de "Morte a Israel" e "Morte aos EUA". Era difícil conciliar seus gestos agressivos de punho erguido com as lágrimas que haviam derramado poucos minutos antes, durante o sermão religioso que precedeu o político e durante o qual Khamenei enalteceu a figura do imame Ali, o fundador do xiismo, no aniversário de sua morte, há 1.400 anos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    09h19

    -0,12
    3,231
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h20

    -0,10
    74.518,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host