UOL Notícias Internacional
 

15/09/2009

Irã permite que blogueiro preso escreva da cadeia

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã
Os internautas iranianos não acreditavam quando viram há alguns dias reaparecer na blogosfera Mohamed Ali Abtahi. O religioso blogueiro, que foi vice-presidente com o reformista Mohamed Khatami, está detido desde 16 de junho passado por causa dos protestos após a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad. Desde então, seu popular site webneveshteha.com mantinha silêncio. "Me surpreendeu quando meu interrogador me disse que podia retomar sua escrita", escreve um Abtahi que muitos seguidores afirmam não reconhecer.
  • Reprodução

    Mohamed Ali Abtahi ganhou autorização do governo para alimentar o blog da prisão, fato que a oposição interpreta como uma tentativa de Ahmadinejad demonstrar que trata bem os presos


E a nova entrada, datada de 4 de shahrivar (26 de agosto no calendário ocidental), mostrava uma imagem dele diante da webcam. O contraste com a foto que ilustra seu diário digital não pode ser mais veemente. Seu sorriso não consegue apagar o aspecto emaciado que já revelou durante seu comparecimento a um tribunal revolucionário em 1º de agosto passado. Sua família denunciou que havia perdido 18 quilos.

Como ocorreu então com sua confissão, muitos iranianos consideram que a retomada do blog é uma tentativa das autoridades para demonstrar que tratam bem os presos. Várias organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram que Abtahi e outros presos políticos foram forçados a fazer confissões falsas, algo que as autoridades iranianas desmentem.

"Sei que alguns de meus amigos também foram detidos. A prisão é difícil para todos", confessa o blogueiro Abtahi antes de explicar quem entende que foram detidos "para acalmar a crise".

Imediatamente, a blogosfera iraniana se encheu de comentários e análises linguísticas que desmentem que Abtahi tenha escrito essas frases. Pouco depois seu blog desapareceu misteriosamente da rede. A filha que o ajudava com as questões técnicas não quis falar com esta correspondente. Mas desta vez nas telas não aparece o habitual "Acces Denied", um filtro com que as autoridades bloqueiam o acesso ao sites críticos e que se ampliou notavelmente nos últimos meses.

As páginas que incluem a palavra "sexo" (no domingo não se podia ter acesso a uma informação deste jornal intitulada "Grupos conservadores criticam um guia sexual da Unesco), somam-se as dos grupos políticos de oposição e meios de comunicação considerados inimigos, como a rede britânica BBC.

Os reformistas as veem e as desejam para encontrar servidores fora do alcance da brigada cibernética dos Guardiães da Revolução.

A situação é tão desesperada que o programa antifiltro Freegate, um dos mais populares no Irã, se viu inundado pela demanda desse país e, tal como adverte quando se tenta utilizá-lo, teve de "restringir o acesso a um número limitado de páginas".

Além disso, os internautas iranianos denunciam a baixa velocidade de conexão. Embora a situação tenha melhorado em relação às semanas imediatamente seguintes às eleições, os downloads são desesperadamente lentos, mesmo quando se dispõe de uma conexão ADSL.

Segundo a World Speedtest.net, o Irã ocupa o 187º lugar do mundo, com uma velocidade média de 0,49 megabytes por segundo (na Espanha fica entre 4 e 8, segundo a região). E a 0,19 megabytes por segundo enviar qualquer documento constitui um ato de heroísmo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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