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15/09/2009

O armamento comprado da França confirma as aspirações globais do Brasil

El País
A compra da França de armamentos num valor inicial de 8,7 bilhões de euros confirma, caso fosse necessário a esta altura, a vontade do Brasil de se transformar também na indiscutível potência militar do subcontinente. No pacote, solenizado por uma visita de Sarkozy a Brasília, estão desde um submarino nuclear até meia centena de helicópteros e 36 aviões de combate Rafale, cuja tecnologia Paris facilitará a seu florescente parceiro. Não parece provável que o gigante latino-americano vá ter problemas para pagar a conta se administrar adequadamente suas novas e vastas descobertas petrolíferas marinhas. Em boa medida, o horizonte imediato de um país onde ainda existe uma enorme pobreza depende do uso rigoroso desses recursos. Um grande desafio.
  • Dmitry Kostyukov/AFP

    Foto de 20.08 mostra o avião Rafale, de fabricação francesa, quebrando a barreira do som durante feira em Zhukovsky, nas cercanias de Moscou



O Brasil, que renunciou à arma nuclear, pretende dotar-se de forças armadas decisivas, resultado coerente com o papel de grande potência regional. Mas não é tudo o que o presidente Lula ambiciona em uma América Latina muito mais unida que hoje. O gigante cronicamente atrofiado até alguns anos atrás aspira a um lugar no Conselho de Segurança da ONU e aparece hoje em qualquer lista dos poucos países que contarão no século 21. Não há fórum de longo alcance, político ou econômico, no qual ele não comece a jogar um papel que muito poucos teriam previsto. As conquistas brasileiras foram deslocando o centro de gravidade latino-americano em claro detrimento de um México que, abismado em suas enormes dificuldades de todo tipo, aspirava a esse papel de ímã.

Apesar de seus contrastes - desde uma sustentada corrupção até o ocasional alinhamento internacional com regimes inapresentáveis -, o grande salto do Brasil se deve em boa medida aos quase sete anos de esquerdismo pragmático de Lula e à semente econômica deixada por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. Desde sua chegada ao poder, o ex-líder sindical teve a rara coragem de manter uma política econômica responsável, que entre outros sucessos tirou da miséria milhões de seus compatriotas. Em uma região frequentemente pendular, Lula da Silva demonstrou que existem modelos de desenvolvimento e comportamento político muito mais produtivos e funcionais do que os que propõem Chávez e seus admiradores. Esse contrapeso prático ao demagógico discurso bolivariano em ascensão é um de seus maiores serviços aos americanos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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