UOL Notícias Internacional
 

19/09/2009

Enviado de Obama não consegue aproximar as posições de israelenses e palestinos

El País
Juan Miguel Muñoz
Em Jerusalém
O enviado do presidente Barack Obama ao Oriente Médio, George Mitchell, não consegue sair da estaca zero. Já são muitas as reuniões do emissário com os líderes israelenses e palestinos - quatro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, só nesta semana -, e seu propósito de obter do governo israelense o compromisso de deter totalmente a construção nas colônias da Cisjordânia se choca repetidamente com a intransigência do Executivo mais de direita das últimas duas décadas.
  • AP Photo/Charles Dharapak

    Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, e o enviado para tratar a questão israelo-palestina no Oriente Médio, George Mitchell, durante discurso em Washington (EUA)


Sem esse congelamento, o presidente palestino, Mahmud Abbas, afirma que não se reunirá com Netanyahu e Obama. Exatamente o que Mitchell desejava que ocorresse na próxima semana durante a Assembléia Geral da ONU em Nova York, um encontro que seria apresentado como o reinício das negociações bilaterais freadas a seco depois do fracasso do processo de Annapolis em 2008.

"Ainda não há um acordo com Israel e não há lugar para soluções intermediárias", declarou o principal negociador palestino, Saeb Erekat, pouco antes da partida de Mitchell, que não se pronunciou. O gabinete do primeiro-ministro israelense também manteve o silêncio. O estancamento, porém, não significa que essa reunião tripartite não vá se realizar. O presidente americano a deseja, Netanyahu também. E as ameaças de Abbas costumam se diluir como açúcar quando Washington pressiona, como sugeriu o próprio Erekat: "Ainda pode ocorrer, mas não terá significado se a posição israelense não mudar".

A história se repete. A secretária de Estado do governo Bush, Condoleezza Rice, fez cerca de 20 visitas à região mas se chocou várias vezes com o mesmo muro: a construção das colônias judias na Cisjordânia ocupada. Faz oito meses que Obama assumiu o cargo, e seu enviado começa a encontrar o mesmo obstáculo. Mitchell voltou ontem a Washington de mãos vazias.

Netanyahu parece disposto a impedir a construção de moradias nas colônias durante um prazo de nove meses, mas insiste em que sejam concluídos os 3 mil apartamentos e casas já em construção e que não proibirá a construção de clínicas, escolas, sinagogas ou centros sociais. É claro que se nega redondamente a deixar de construir em Jerusalém leste, onde continuou as demolições e a expulsão de moradores árabes de suas casas para que sejam ocupadas por colonos radicais. A rejeição ao congelamento da construção nos assentamentos é muito firme e extensa nas fileiras do Likud, o partido de Netanyahu, cuja carta de fundação rejeitam a existência de um Estado palestino e defende a colonização dos territórios ocupados.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP), por sua vez, faz o possível para abortar qualquer tentativa de violência contra Israel. Reprime sem descanso o Hamas na Cisjordânia - deteve cerca de mil de seus membros -, e os atentados suicidas em solo israelense são coisa do passado. Inclusive em Gaza, ainda submetida a um cruel assédio econômico, o Hamas impede que se lancem foguetes contra território inimigo. A ANP está cumprindo suas obrigações definidas no Mapa do Caminho, enquanto Israel, que não parece temer que a Casa Branca lhe torça o braço, se esquiva das suas. Nas ruas palestinas, muitos já falam em uma nova farsa.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    10h59

    0,64
    3,202
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h06

    0,39
    64.926,45
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host