UOL Notícias Internacional
 

24/09/2009

É urgente haver mediação em Honduras

El País
É inesperado retorno do presidente deposto Zelaya agrava a crise do país centro-americano

População sofre com barricadas e comércio fechado, relata repórter

O inesperado reaparecimento em Tegucigalpa do presidente deposto de Honduras, depois de quase três meses de exílio, tirou bruscamente de seu sono a crise política do país centro-americano. Na capital, novamente sob toque de recolher, se reproduziram na terça-feira os confrontos entre a polícia e os simpatizantes de Manuel Zelaya, refugiado na embaixada do Brasil. Lula apelou ao entendimento urgente entre hondurenhos e justificou nos costumes democráticos do Brasil - que reafirma com esse papel de protagonista distante de suas fronteiras sua vocação de potência regional - o asilo temporário ao presidente expulso. Zelaya, no entanto, deveria saber que uma delegação diplomática não é lugar adequado para chamar à insurreição.

Não há nada mais importante agora em Honduras do que evitar derramamento de sangue. Apesar das sanções econômicas impostas pelos EUA e a UE e do isolamento diplomático da Organização dos Estados Americanos, o presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, instalado pelo Congresso de seu país, rejeitou repetidamente um acordo. O desafio não só custa à empobrecida e desarticulada Honduras milhões em ajuda internacional. Micheletti acreditava ganhar a batalha do esquecimento e apostava em um declínio da pressão externa depois da eleição presidencial prevista para novembro.

A presença de Zelaya em Tegucigalpa altera esses planos e multiplica o perigo de que o conflito de poderes no pequeno país possa se transformar em um confronto mais amplo e de caráter regional. Não por acaso em Honduras jogam suas cartas Venezuela, Cuba ou Nicarágua, entre outros atores caracterizados.

Se o golpe de Estado de junho foi absolutamente condenável, igualmente o seria tentar dar a volta através da violência. A dividida Honduras não tem neste momento outra saída melhor que uma mediação qualificada, preferencialmente regional. Talvez tenha chegado o momento de voltar a uma versão revisada do plano do presidente da Costa Rica, que foi aprovado pela OEA no verão e rechaçado por Micheletti e, em menor medida, Zelaya. Óscar Arias contemplava em julho que o chefe de Estado deposto regressasse à presidência com poderes reduzidos, um governo de união e supervisão internacional. Eleições presidenciais antecipadas definiriam a situação.



Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    10h49

    0,96
    3,182
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h00

    -0,25
    64.982,67
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host