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28/09/2009

João Bosco: 'Deixei de existir para que surgisse a música'

El País
Francho Barón
No Rio de Janeiro
  • 24.nov.04 - Marco Antônio Teixeira/Agência O Globo

    João Bosco (esq.) e Aldir Blanc retomam
    parceria após 20 anos separados

Cai a tarde na floresta da Tijuca, que se estende como um manto pelos morros do Rio de Janeiro, e na mansão de João Bosco de Freitas Mucci, João Bosco, (Ponte Nova, Minas Gerais, 1946) soam, como um sussurro, os acordes de uma velha canção. No silêncio de uma sala sem muitos ornamentos, João acaricia, pensativo, as cordas de um violão de soleira fabricado especialmente para ele pelo luthier japonês Shiguemitsu Suguiyama.

Não se trata de um violão qualquer: o instrumento coloca música nos discos e shows do intérprete brasileiro desde 1981. E dá para notar os sons que brotam da caixa acústica, incisivos e envolventes. Em julho, João lançou no Brasil seu mais recente trabalho com doze músicas inéditas. Um disco que chega carregado de misticismo metafórico até no título: "Não Vou Pro Céu, Mas Já Não Vivo no Chão".

O compositor de clássicos como "Papel Maché" e "O Bêbado e a Equilibrista" retomou depois de 20 anos a parceria com o letrista e poeta carioca Aldir Blanc, que assina a letra de quatro canções. "Só uma das colaborações com Aldir Blanc, 'Navalha', já vale todas as celebrações possíveis pelo retorno inesperado da dupla", afirma o poeta Eucanãa Ferraz. "Não voltamos só para fazer música. Voltamos a ser amigos."

"Almir Chediak, que naquela época trabalhava num songbook sobre a minha obra, o último que produziu antes de falecer, convidou Aldir para gravar 'O Bêbado e a Equilibrista'. Naquela gravação, depois de tantos anos sem nos vermos, percebemos que estávamos falando como se nada tivesse acontecido e que nossa amizade era indestrutível. Pouco depois, Aldir me telefonou para dizer que tinha sonhado comigo: no sonho eu cantava um samba. Quando ele acordou, pegou uma caneta e tentou escrever a letra. Assim surgiu a letra de 'Sonho de Caramujo', que contém o título desse disco", revela João.

Nesse trabalho, talvez o mais intimista e pessoal de sua carreira, o intérprete e compositor também mergulha pela primeira vez numa colaboração artística com seu filho Francisco, que fez a letra para cinco músicas. "O título do disco tem muito a ver com a poética que Aldir Blanc e Francisco Bosco trouxeram ao disco, sem combinar, eles trabalharam com uma afinidade quase impensável. As letras das músicas dialogam umas com as outras, num disco que tem uma unidade rara em comparação com outros discos da minha carreira", explica, enquanto os dedos de sua mão direita continuam percorrendo as cordas do violão.

Questionado sobre quais elementos novos ele destacaria neste trabalho, João não precisa pensar muito sobre sua resposta: "Há um cantor que surge nesse disco. Um cantor com a capacidade de deixar de existir para que só surja a música. É algo que eu nunca havia experimentado antes. Sempre gostei de ser muito exuberante, ocupar os espaços, alterar a pronúncia das palavras. Este é um disco desprovido de artifícios, quase de violão e voz, e nos momentos em que os músicos participam, esta sensação não se perde."

Tradução: Eloise De Vylder

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