UOL Notícias Internacional
 

29/09/2009

Irã despreza ultimato da comunidade internacional

El País
Ángeles Espinosa
Em Teerã
É difícil determinar até que ponto os governantes iranianos estão conscientes de sua vulnerabilidade. Enquanto a descoberta da usina nuclear de Qom reforça as suspeitas sobre seu programa atômico, continuam fazendo declarações desafiadoras. Mesmo assim, no sábado tentaram reduzir a importância da revelação e defenderam sua legitimidade. Quatro dias antes da reunião com as grandes potências em Genebra, suas palavras pareciam mais destinadas à opinião pública interna que a seus interlocutores.
  • Frank Franklin II/AP

    Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, visita a planta nuclerar de Natanz, onde 4.500 centrífugas produzem 80 quilos de urânio enriquecido por mês




"Se Deus quiser, esta nova usina estará operacional brevemente e deixará cegos os inimigos", declarou o aiatolá Mohammad Golpajegani, que dirige o gabinete do líder supremo, citado pela agência de notícias Fars. Na sexta-feira, o presidente Mahmoud Ahmadinejad disse que faltam 18 meses para que entre em operação e que as potências ocidentais lamentarão ter acusado o Irã de ocultar sua construção.

Ahmadinejad não deu mais detalhes a respeito, mas o chefe do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento, Alaeddin Borujerdi, os advertiu no sábado contra a adoção de medidas que possam afetar a cooperação do Irã com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). "Não devem fazer nada que faça o Irã lamentar seu atual nível de cooperação, que às vezes vai além das exigências legais", declarou.

Essa ameaça pouco velada, que o Irã já brandiu anteriormente, adquire especial significado às vésperas de uma nova rodada de conversações entre o alto representante europeu, Javier Solana, em nome do G6 (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha) e o negociador nuclear iraniano, Said Yalili. A descoberta da usina de Qom os deixou sem argumentos diante do encontro que se realizará em Genebra na próxima quinta-feira.

"Não teria por que eclipsar as conversas, a menos que esses países estejam buscando um pretexto para as pôr a perder", afirmou Borujerdi. Já o fez. Por mais que os porta-vozes iranianos insistam na vontade de transparência de seu país ao informar sobre a instalação à AIEA, as circunstâncias em que esta ocorreu (só depois de saber que os EUA iriam colocá-la na mesa) indicam outra coisa.

"O presidente disse que não tínhamos problemas para que se realize uma inspeção segundo as normas. Vamos falar com o órgão e anunciaremos a data quando chegarmos a um acordo", disse por sua vez o diretor da Agência de Energia Atômica iraniana diante da mídia oficial. Ali Akbar Salehi tentava assim contrapor-se às acusações de engano que chovem no exterior. Não está claro até que ponto o discurso oficial vai convencer uma população que, apesar de apoiar o programa nuclear em geral, desconfia mais que nunca de seu governo depois das contestadas eleições de junho passado.

Nesse contexto de crescente tensão, o anúncio de que a Guarda Revolucionária inicia a partir de hoje uma série de testes com mísseis parece provocação. "É possível que façam parte de seus exercícios anuais, como anunciaram, mas não é o melhor momento", manifesta um observador europeu. O Ocidente se preocupa tanto com o programa de mísseis iraniano quanto com seu empenho nuclear, já que é aquele que torna este perigoso.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves A usina nuclear de Qom entrará em operação "brevemente"

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