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29/09/2009

Moscou se distancia de Teerã

El País
Pilar Bonet
Em Moscou
A sensação de perigo ganha terreno em meio às expectativas da Rússia de se beneficiar com sua política diante do Irã, apesar de o presidente Dmitri Medvedev não ter revelado as condições e prazos em que poderia apoiar sanções - já aceitas como talvez irremediáveis - por conta do programa nuclear de Teerã. Devido a suas relações econômicas, fornecimentos militares e interesses estratégicos, Moscou está em uma posição delicada diante do Irã, pois não pode ignorar a realidade preocupante nem deixar que outros Estados, como Israel, determinem o rumo de acontecimentos que poderiam afetar sua zona de influência.
  • Mikhail Klimentyev/AFP

    O presidente russo Dmitri Medvedev (à direita) cumprimenta o colega iraniano Mahmoud Ahmadinejad durante encontro em Dushanbe, no Tajiquistão, em agosto do ano passado


O Irã tenta fabricar um novo míssil de médio alcance que poderia atingir quase todo o território da Europa e uma parte importante da Rússia, disse na segunda-feira à agência Interfax o general Vladimir Dvorkin, do Centro de Segurança Internacional do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais de Moscou. Segundo ele, o míssil (Shahab 3M) tem alcance de mais de 2 mil km e o Irã também elabora outros sistemas com a capacidade de um míssil de médio alcance (até 5.500 km).

Para a Rússia, ele disse, não foi uma surpresa que os iranianos fabricassem mísseis com combustível sólido. "É ingênuo considerar que o Irã não possa adquirir as tecnologias que a União Soviética adquiriu no final dos anos 1950", declarou o especialista. Sobre esse pano de fundo, o chefe do Comitê de Relações Exteriores da Câmara Alta do Parlamento, Mikhail Margelov, pediu que a posição russa diante do Irã não fosse julgada como o pagamento da desistência dos EUA no posicionamento de elementos de seu sistema de defesa antimísseis na República Tcheca e na Polônia. "A Rússia não está menos preocupada que outros membros do clube nuclear pela política ambígua da direção iraniana nesse campo extremamente perigoso para o mundo", salientou.

Entre a guerra e um reforço das sanções, Margelov opta pelo segundo. Em um editorial, o jornal "Vedomosti" afirmou que os mísseis de curto alcance do Irã podem chegar até a Armênia e os de médio alcance, ao norte do Cáucaso e à região de Astracã (na desembocadura do Volga), assim como ao Cazaquistão, que é aliado da Rússia. Para o jornal, é "surpreendente" que para "desistir de apoiar um regime imprevisível situado nas proximidades das fronteiras russas seja necessária uma renovação das relações com os EUA".
  • Ali Shayegan/Reuters

    A televisão iraniana noticiou na segunda-feira
    (28) que o país testou mísseis de longo alcance Shahab-3. Os foguetes têm alcance de cerca
    de 2.000 quilômetros, podendo atingir, em tese, Israel e bases americanas no Oriente Médio



O volume do comércio russo-iraniano é bem menor (equivale a 0,5% do comércio exterior russo), mas o Irã tem grande importância em outros campos. Moscou construiu a central atômica de Busher (iniciada pelos alemães em 1975) a um custo entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão, e a partir deste ano pretende abastecê-la de combustível durante uma década. Além disso, há a colaboração técnico-militar, campo em que o Irã é o terceiro parceiro da Rússia, depois da Índia e da China. Em 2006, Moscou forneceu a Teerã instalações antiaéreas de curto alcance (29 conjuntos Tor M-1 no valor de US$ 700 milhões), o que custou sanções americanas a várias empresas russas.

Mais importante é o contrato assinado em 2005 de venda de complexos antimísseis S-300, cujo fornecimento está paralisado, ou pelo menos foi o que os porta-vozes russos afirmaram em abril passado. O Irã é chave para a criação de um corredor de transporte norte-sul - aprovado por Rússia, Armênia, Azerbaijão, entre outros - do norte da Europa ao golfo Pérsico, que representaria uma alternativa à rota marítima pelo Cáspio. O Kremlin acreditou que suas boas relações com o Irã reforçam sua posição estratégica no Oriente Médio, ao permitir que atue como mediador e intérprete de Teerã, que no passado apoiou a Rússia ao não se imiscuir na guerra da Chechênia e ao manter boas relações com a Armênia, país aliado de Moscou.

A Rússia, entretanto, tem uma margem de manobra reduzida, e sua exportação de gás e petróleo se beneficia da atual situação. Se o Irã se transformasse em um país amigo dos EUA, que atrai investidores ocidentais, Moscou poderia enfrentar um tremendo concorrente na exportação de hidrocarbonetos para o Ocidente.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves O Kremlin desconfia do Irã, cujos mísseis já alcançam a Rússia, e ao mesmo tempo quer manter relações econômicas e militares com o regime dos aiatolás

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