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30/09/2009

Mujica, candidato da esquerda uruguaia, enfrenta maus momentos

El País
Soledad Gallego-Díaz Em Buenos Aires
O excesso verbal do líder da Frente Ampla mina sua vantagem eleitoral

José "Pepe" Mujica, candidato presidencial da Frente Ampla para as eleições uruguaias do próximo dia 25 de outubro, está passando por muitos maus momentos e já não há muita gente segura de que ele possa ganhar no primeiro turno, quando são necessários no mínimo 50% dos votos. Se tiver de recorrer a um segundo turno, aumentam as possibilidades de seu adversário imediato, Luis Lacalle, do Partido Nacional, que conseguiria os votos do terceiro na disputa, Pedro Bordaberry, do Partido Colorado.

  • Roberto Jayme/Reuters - 12.nov.2007

    Os chefes da campanha de Mujica anularam todas as entrevistas marcadas com a imprensa



A culpa dos problemas de Mujica é dele mesmo. São suas declarações ao jornal "La Nación", de Buenos Aires, criticando os políticos argentinos, e a um jornalista "amigo" que acaba de publicar uma biografia sua, na qual o candidato fala à vontade sobre a Justiça de seu país, o que provocou toda uma comoção. Mujica não diz sobre a Argentina nada que a maioria dos argentinos não pense: que as instituições não funcionam, que muitos peronistas e sindicalistas são "criminosos", que ninguém sabe a ideologia dos Kirchner, que os radicais são bons, mas "idiotas"... Tanto é assim que nem os Kirchner, nem os radicais, nem a mídia argentina se consideraram ofendidos demais e aceitaram sem maiores problemas as desculpas do senador uruguaio.

A oposição uruguaia não foi tão compreensiva. A reação foi muito dura e unânime, talvez porque boa parte da campanha contra Mujica se baseia na ideia de que não é competente para o cargo presidencial, que é alguém com uma forma de falar coloquial e popular demais para representar o país e carece dos conhecimentos econômicos imprescindíveis. Mujica tem uma impressionante história pessoal como guerrilheiro tupamaro e como preso político submetido a torturas e a terríveis isolamentos, mas também tem experiência política de sobra como senador e como ministro da Agricultura.

Sem dúvida mantém uma imagem de velho pomposo e fleumático que entusiasma alguns e irrita a outros, inclusive dentro da Frente Ampla. O atual presidente da República, Tabaré Vázquez, por exemplo, criticou publicamente as "estupidezes" do candidato. Também é verdade que Tabaré, que mantém uma grande popularidade mas não pode repetir o mandato, sempre preferiu outros candidatos a Mujica.

A reação da oposição foi tão brutal que, segundo um jornal de Montevidéu, Pepe Mujica esteve a ponto de desistir da candidatura. O senador temia que a Frente Ampla tivesse hipotecado suas possibilidades de vitória por causa de suas declarações e estava disposto a deixar o cargo para seu número 2, Danilo Astori (ao qual venceu nas primárias da Frente). Segundo esse relato, foi o próprio Astori, a quem Mujica já confiou a direção da economia uruguaia caso ganhe as eleições, quem se negou a considerar a ideia.

Astori saiu a público para reafirmar seu apoio a Mujica e dar por encerrado o incidente. Na Frente Ampla afirmam que se trata de conseguir que a campanha se oriente para os temas realmente importantes para o futuro do país e evitar que a oposição os "encerre" no debate sobre a polêmica biografia.

Por enquanto, os chefes da campanha de Mujica parecem não estar certos sobre a capacidade do candidato de superar o incidente, e anunciaram a anulação de todas as entrevistas que o senador tinha marcado com a imprensa uruguaia e internacional. Pelo menos até que se comprovem os efeitos reais do que aconteceu nos eleitores uruguaios. Para alguns pode haver uma hecatombe, enquanto outros creem que há tempo suficiente até as eleições para que Mujica volte a conectar-se com os eleitores. As últimas pesquisas dão a Mujica 45% dos votos, à frente de Lacalle (32%) e de Bordaberry (11%), o que não evitaria um segundo turno.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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