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02/10/2009

Eleições na Grécia: "Yes, we can" à grega

El País
M. A. Sánchez-Vallejo Enviado especial a Atenas
  • Orestis Panagiotou/EFE - 30.jan.2006

    Costas Karamanlis é o primeiro-ministro grego

Em um país onde o voto é obrigatório, chamam a atenção os cartazes pendurados na entrada de algumas faculdades de Atenas, convidando à abstenção nas urnas no próximo domingo. Esse pequeno gesto de desobediência é um dos rostos que representam o descrédito dos políticos, o descontentamento popular, o mal-estar instalado nas ruas da Grécia. Os cartazes estão expostos na faculdade de Economia e na Politécnica, dois dos principais cenários da rebelião juvenil que em dezembro pôs em xeque o governo de centro-direita de Costas Karamanlis.

Mas ao descontentamento da chamada geração dos 700 euros - a melhor preparada e pior remunerada do país - acrescentam-se inúmeros deméritos no expediente com que a Nova Democracia, o partido conservador de Costas Karamanlis, se aproxima das urnas. O plano econômico ganha especial importância: o índice de desemprego ronda os 9%, a produção industrial recuou 9,2 pontos em um ano e a atividade no setor da construção caiu mais de 25% no mesmo período, segundo dados do Serviço Nacional de Estatísticas.

Os Jogos Olímpicos de 2004, que dotaram o país de modernas infraestruturas como o novo metrô e o anel periférico de Atenas, também deixaram muitas contas pendentes, entre elas a do chamado caso Siemens, que a Justiça ainda investiga. Junto com o caso Vatopedi, a venda irregular de terrenos de um mosteiro que obrigou à demissão de dois altos funcionários e uma reforma do governo, o escândalo Siemens (o pagamento por parte da empresa alemã de mais de 100 milhões de euros em comissões a funcionários gregos para obter contratos nos Jogos Olímpicos) empanou ainda mais a gestão de Karamanlis e do partido que o apoia.

É exatamente essa identificação entre governo e partido uma das feridas do sistema político grego, salientam alguns observadores. Talvez por isso Yorgos Papandreu, candidato a ocupar a residência de Megaro Máximo (o palácio do governo grego), anunciou na quarta-feira que seu governo marcará uma clara linha divisória entre o poder do Estado e os partidos, incluindo o dele, o Movimento Socialista Pan-helênico (Pasok).

Thalia Dragonas, professora de psicologia social na Universidade de Atenas e parlamentar socialista, define o desafio de uma nova maneira de fazer política com uma única frase: "Yes, we can" (Sim, nós podemos). Como Obama? "Sim, tão simples como isso. Trata-se de um conceito, de um espírito e uma vontade novos, porque estamos parados há anos e as coisas precisam mudar pela raiz. A Grécia precisa de uma mudança na educação, na imigração, e não só do ponto de vista político mas também humano, cidadão; na sensibilidade de gênero em relação aos homossexuais, aos quais os políticos nunca se dirigem, como se esta fosse uma sociedade unicamente heterossexual".

Papandreu, o Obama grego? Responde Spyros Kouvelis, encarnação do novo Pasok e provável titular do Meio Ambiente se seu chefe de fileiras for eleito primeiro-ministro: "Sentimos profundamente o 'Yes, we can', estamos convencidos disso, desde Papandreu até qualquer um de nós, porque esta é a oportunidade para uma grande mudança, uma mudança de que a Grécia precisa e exige". "Uma revolução verde está em curso", anuncia Kouvelis. E não só no que se refere ao meio ambiente, parece, porque o verde é a cor do Pasok.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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