UOL Notícias Internacional
 

02/10/2009

Os Pasdaran têm a última palavra no Irã

El País
Ángeles Espinosa Em Genebra (Suíça)
Cresce a influência política e econômica dos Guardiães da Revolução

  • ABEDIN TAHERKENAREH/EFE - 11.set.2009

    A última palavra em assuntos de Estado é do
    "líder supremo", o aiatolá Ali Khamenei (foto)

Said Yalili é a face visível do Irã nas negociações nucleares com as grandes potências. Quem toma as decisões é menos claro. Apesar das aparências, não é o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. A última palavra em assuntos de Estado é do "líder supremo", o aiatolá Ali Khamenei. No entanto, há alguns anos o poder adquirido pelo corpo de Guardiães da Revolução Islâmica, os Pasdaran, faz que alguns analistas o considerem refém dessa força militar de elite. Em todo caso, sua opinião sem dúvida influi nas instruções que Yalili recebe.

O peso dos Pasdaran não procede só das armas, mas de sua crescente influência política e econômica. No atual governo, todos os ministros são membros da Guarda Revolucionária ou da milícia dos basijis a ela incorporada. Essa afiliação fica evidente nos casos dos ministros da Defesa, Serviço Secreto, Interior, Petróleo, Orientação Islâmica ou Comunicações, todos eles membros na ativa ou na reserva, como o próprio Ahmadinejad. Até a ministra da Saúde, Marzieh Vahid Dastyerdi, é do ramo feminino dos basijis. Além disso, empresas de propriedade ou ligadas aos Guardiães da Revolução controlam uma parte cada vez maior da economia iraniana. Sua presença em todas as fronteiras e portos de entrada do país os transforma em passagem obrigatória para qualquer importação.

Os homens de negócios iranianos se queixam com frequência de que para conseguir qualquer contrato com o Estado é preciso fazê-lo através de companhias afiliadas a essa força. Essas mesmas empresas são as que muitas vezes levam os melhores bocados no processo de privatização de empresas estatais atualmente em curso, como ocorreu no sábado passado com a entrada na Bolsa da operadora nacional de telecomunicações. Um consórcio ligado aos Pasdaran, Etemad-e Mobin, ficou com 50% das ações mais uma.

A Guarda Revolucionária foi criada pelo fundador da república islâmica, o aiatolá Khomeini, para proteger os valores da revolução e porque desconfiava da lealdade do exército convencional. Trata-se de um verdadeiro exército paralelo, com suas três armas (terra, mar e ar), serviços de espionagem, etc., só que mais ideológico. Seu desempenho durante a guerra contra o Iraque o consolidou como principal força do país. Ao mesmo tempo, a influência política da Guarda Revolucionária cresceu pelas mãos dos setores mais reacionários do regime.

O avanço dos reformistas no final dos anos 1990 animou uma aliança não explícita destes com os militares, à qual muitos iranianos atribuem a vitória de Ahmadinejad em 2005. Já depois daquelas eleições houve uma invasão militar na política. Um terço de seus 21 ministros eram antigos Pasdaran e o mesmo aconteceu com a maioria dos governadores e outros cargos nomeados pelo presidente.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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