UOL Notícias Internacional
 

03/10/2009

Obama quer inspeção da AIEA no Irã antes de duas semanas

El País
Antonio Caño Em Washington
Barack Obama qualificou as conversações em Genebra nesta quinta-feira como "um começo construtivo", mas advertiu que agora o Irã tem de tomar medidas claras e rápidas para garantir ao mundo que seu programa nuclear tem unicamente fins pacíficos. Do contrário, advertiu o presidente norte-americano, "os EUA estão preparados para aumentar sua pressão" sobre o regime islâmico.

Diminui a tensão e se abranda a resistência iraniana. As coisas não parecem ter saído mal, sobretudo levando-se em conta o pessimismo com que a delegação norte-americana se dirigiu ao primeiro encontro direto com o governo iraniano desde a ruptura de relações após o sequestro de diplomatas americanos em Teerã, em 1980.

"Trata-se de um começo construtivo que agora deve ser acompanhado de ações construtivas", declarou Obama em uma aparição inesperada à imprensa, com a qual pretendeu ratificar o que pode ser considerado um êxito, relativo e provisório, de sua política externa.
  • Kevin Lamarque/Reuters

    Barack Obama qualificou as conversações em Genebra como "um começo construtivo"



Obama conteve o Irã por enquanto e, aparentemente, obrigou esse país a abrir suas instalações nucleares para os inspetores estrangeiros. Se for assim, e isso servir para garantir que o Irã não construirá armas atômicas, o sucesso será definitivo. Se não for assim, se apesar de tudo o governo islâmico prosseguir com seu programa nuclear de forma clandestina, tudo só terá servido para o Irã ganhar tempo.

"Nossa paciência não será infinita", antecipou Obama, que expôs duas condições: o Irã precisa permitir a inspeção de suas instalações no prazo de duas semanas e responder à preocupação internacional com transparência e confiança.

A fim de garantir a transparência, segundo manifestou o presidente norte-americano, o regime dos aiatolás tem de permitir que funcionários da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) vigiem os trabalhos que se realizam nas duas usinas nucleares iranianas, assim como tenham acesso a outro material ou instalações que considerem necessárias.

Para ganhar a confiança do Ocidente, o Irã precisa dar provas de que o objetivo de seu programa nuclear é estritamente pacífico, o que inclui não fazer transferências de tecnologia para outros países de forma descontrolada.

Se o governo de Teerã cumprir essas condições de forma rápida, Obama garantiu que se abrirá o caminho para relações de colaboração com os EUA e sua reincorporação à comunidade internacional.

"Não se trata de indicar ninguém em particular nem de aplicar um duplo critério", manifestou Obama. "Isto é um problema de não-proliferação. O Irã tem direito à produção de energia [nuclear] para fins pacíficos, mas isso incluiu uma série de responsabilidades que tem de cumprir. O Irã precisa demonstrar, através de ações concretas, que aceita as responsabilidades de seu programa nuclear", reiterou.

Na mesma linha, a secretária de Estado Hillary Clinton declarou que "contará como um sinal positivo quando [o Irã] passar dos gestos e do diálogo às ações e aos resultados". Clinton incorporou, porém, uma nota de otimismo ao acrescentar: "Esse é o caminho que é necessário, e creio que estamos nele. A reunião de hoje abre a porta", afirmou a chefe da diplomacia norte-americana.

Esse pequeno êxito, que a oposição interna nos EUA não vai admitir enquanto não for acompanhado de resultados tangíveis, foi possível segundo o governo norte-americano graças ao fato de que pela primeira vez o Irã se sentou diante de um grupo de potências unidas.

"O governo iraniano", declarou Obama nesta quinta-feira, "escutou uma mensagem clara e unida por parte da comunidade internacional em Genebra." O mérito deve ser atribuído, pelo menos parcialmente, ao próprio presidente, que nos últimos dias soube aplicar uma sutil diplomacia para que a Rússia e a China se somassem aos países ocidentais na necessidade de exercer uma pressão mais firme sobre o Irã.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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