UOL Notícias Internacional
 

03/10/2009

Padang, epicentro da desolação

El País
Cristina Galindo Enviada especial a Padang
As vozes das crianças presas em um colégio no centro da localidade de Padang deixaram de ser escutadas. O terremoto que arrasou a costa oeste de Sumatra (Indonésia) na última quarta-feira as apanhou durante a aula. Cerca de 60 continuavam sob os escombros nesta sexta-feira de manhã. "Antes se escutavam suas vozes pedindo ajuda, mas agora não", comentou um morador a um veículo da mídia local.
  • Crack Palinggi / Reuters

    Morador recolhe pertences de sua casa em Pariaman, na Indonésia. O governo da Indonésia estimou nesta sexta-feira (2) em 3.000 o número de mortos sob os edifícios destruídos pelo terremoto de 7,6 graus na escala Richter que atingiu a ilha de Sumatra há dois dias


No epicentro da desolação, milhares de pessoas continuam buscando seus parentes desaparecidos, com esperança cada vez menor de encontrá-los com vida. Membros das equipes retiram dos escombros cadáveres e corpos mutilados, alguns irreconhecíveis. As ruas estão cheias de casas destruídas, enquanto centenas de pessoas fazem fila nos postos de gasolina para tentar conseguir combustível para seus veículos e para gerar eletricidade. Ao anoitecer, cai a escuridão total sobre Padang. Começa a haver eletricidade, mas grande parte continua às escuras. Do ar, mal se pode ver uma pequena parte dessa cidade de 900 mil habitantes que mergulhou nas sombras.

Dois dias depois do abalo, acredita-se que cerca de 3 mil pessoas continuam desaparecidas. As equipes de resgate, vindas de vários países, correm contra o relógio em busca de possíveis sobreviventes. Fazem turnos para cobrir as 24 horas do dia. Apesar dos cortes de luz, continuam trabalhando com refletores poderosos. A magnitude da tragédia cresce hora a hora. Mais de 20 mil edifícios foram destruídos ou gravemente danificados, segundo a agência de Gestão de Catástrofes.

As condições não são fáceis. Precisam de mais máquinas pesadas para remover os escombros, mas a esperança de que ocorra algum milagre - sempre há, como uma menina que foi resgatada 40 horas depois do terremoto - lhes dá forças para continuar. As organizações humanitárias começaram a chegar nesta sexta-feira com empenho. O escritório da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Coordenação de Ajuda Humanitária e Catástrofes se instalou pela manhã na mansão do governador da província para começar a organizar as tarefas internacionais de ajuda.

O número oficial de mortos já chega a 850, mas pode haver mais de 1 mil. Em alguns hospitais as temperaturas de mais de 30 graus e a umidade elevada aceleram a decomposição dos cadáveres. As rachaduras nas ruas do centro de Padang, uma das cidades mais afetadas, mostram a tremenda força do terremoto de magnitude 7.6 na escala Richter que atingiu a região. Se, como se teme, o número de mortos disparar, poderá superar o abalo registrado na ilha de Java em 2006, no qual morreram mais de 5 mil pessoas e 1,5 milhão ficaram desabrigadas.

Os geólogos advertiam há anos de que Padang, situada na área conhecida como "anel de fogo do Pacífico", acabaria sendo destruída por um terremoto. Na agência de viagens que dirige, muito próxima de edifícios destruídos, Wahyu Rahmadani, 22, sente-se afortunado, depois de tudo. Sua firma sobreviveu e sua casa também. "Quando começou o terremoto, de manhã, eu ia para o trabalho e me assustei. O carro deu uma volta tremenda e capotou. Pensei: outro tsunami!", ele lembra, referindo-se ao maremoto de 2004 que matou 230 mil pessoas em uma dúzia de países da região, incluindo a Indonésia. "Veja, esta era uma escola de idiomas", diz, apontando com o dedo. "Este edifício tinha seis andares, e não ficou nada", continua explicando. A lista é longa: dois hotéis completamente destruídos, um muito danificado, um hospital destroçado...

Respira-se medo na cidade. Muitos dos que fazem fila para abastecer a moto ou o carro decidiram ir embora temporariamente. Temem outro terremoto. Isti Qamah decidiu ficar, mas não pode esconder sua expressão de susto enquanto mostra no YouTube vídeos do terremoto. "Eu estava em casa quando tudo aconteceu. Tremeram o chão, as paredes... minha casa ficou cheia de rachaduras", explica essa universitária de 19 anos. "O centro comercial desmoronou e se incendiou e, veja, a rua dos grandes hotéis, toda quebrada", explica, mostrando as imagens no computador.

A comida começa a faltar. O mercado de víveres de Padang foi muito afetado pelo terremoto. Algumas instalações se incendiaram. Nos supermercados os produtos estão se esgotando. Os moradores têm de racionar o conteúdo da despensa para não ficar sem nada. Alguns estabelecimentos voltaram a servir refeições, mas ninguém sabe por quantos dias.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h16

    -0,05
    3,173
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h23

    1,12
    65.403,25
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host